Frase

"A noção do dever bem cumprido,ainda que todos os homens permaneçam contra nós, é uma luz firme para o dia e abençoado
travesseiro para a noite."
(Os Mensageiros)


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domingo, 29 de agosto de 2010

Definitivamente

Pode-se amar muito mais um homem depois de ter filhos com ele.

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sábado, 28 de agosto de 2010

Carta de um bebê

Tinha medo de tudo ao nascer. O mundo era gigante, estranho e
assustador. Meus olhos se incomodavam com a luz; meus ouvidos se
assustavam com os sons. Você era o sinônimo de segurança, mas logo ficou
incomodada com minha dependência.
Se chorava desejando seu colo e seu seio, você me oferecia
brinquedos ou luzes para que me distraísse. Se a segurança que sentia
quando me alimentava me fazia desejar mais e mais, oferecia-me
mamadeiras, na esperança de que eu dormisse por mais tempo e te desse
mais espaço.
Você era meu único referencial e tudo de que precisava. Assim
aprendi que minhas necessidades emocionais poderiam ser substituídas
por conforto material e que não podia expressar livremente meus anseios.

Quando bem pequenino, dava-me brinquedos para não me pegar no colo,
esperando que fosse capaz de ficar mais tempo sozinho. Você queria um
bebê independente e eu precisava de uma mãe presente. Os estímulos para
o desenvolvimento de minha inteligência eram totalmente dispensáveis; o
aconchego que fortaleceria meu ser, não.
Quanto mais eu te
chamava, mais te afastava, até que desisti.
Logo aprendi e solicitava coisas do mundo quando precisava de coisas do
coração.
Você se sentia culpada e me compensava; eu me sentia lezado e
exigia. Era inconsciente, mas estava lá o mecanismo.
Hoje não sei como me conectar às pessoas, quando tive tantos hiatos
nessa primeira conexão. Que modelo seguir? Como atrair sua atenção para
que apenas fique perto de mim?

Sob as luzes da televisão e do monitor do pc eu a observo, e parece que às vezes foge
de mim. Trabalhando para me dar coisas para não me olhar nos olhos,
será? Fazendo cursos, aprendendo tanto sobre tanto, para não
saber tudo de mim, talvez? Por que sempre que chega perto de mim, parece
esperar pelo melhor momento para ir embora?
Contigo aprendi a não ter medo do escuro, dos monstros do armário e
da televisão. Sempre existe uma explicação lógica. Todavia, jamais me
souberam explicar porque o amor mete tanto medo.

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terça-feira, 10 de agosto de 2010

Prece

Mestre,
Peço sua ajuda para conseguir discordar sem perder o respeito
Auxiliar sem julgar
Er o mínimo de boa-vontade com quem não parece ter, nem iniciativa.nem espírito de auto crítica.
Ajudai-me a tratar as pessoas como gostaria de ser tratada.a expor meus pontos de vista sem melindres
E a não me expor desnecessariamente.
Enfim, mestre,. Rogo-te sabedoria....

Assim seja.

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sábado, 22 de maio de 2010

Casamento perfeito

Casamento perfeito
Não é aquele
Em que os cônjuges não têm problemas
Mas aquele em que
Os cônjuges sabem
Perfeitamente
Lidar com os problemas que têm.

***

Tem muita mulher procurando um príncipe
Sem saber que, ela própria, não é uma princesa.

***

Uma vez eu encontrei o homem perfeito.
Não deu certo:
ele estava convicto de que merecia uma mulher perfeita.

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Quem realmente te conhece?

Das tantas pessoas que cruzam seu caminho
Que te criticam, que te elogiam
Quantas realmente te conhecem?
Quantas sabem o que você faz
Quando sente a dor do que não fez?
Quantas sabem aonde você vai
Quando sente que não tem aonde ir?
Quantas sabem a que você se agarra,
sempre que a vida quer te levar para longe das suas búçolas?
Quantas realmente te entendem
Quando você se permite chorar
E o que está por trás
Da sua risada?

Do seu bom humor
Do seu amor
do rubor
Daquilo que você pensava que era segredo
E então, não era mais?

Das tantas pessoas que vocÊ conhece
Quem é que te conhece mais?
E te conhecendo
Quantas não olharão para trás?
Quantas te abraçarão
E verão sempre mais
Do que mostram os boatos e os fatos
As falas e os hiatos?

Das pessoas que não te conhecem
Quem te conhece mais?
Das pessoas de que você esquece,
Quem é que te lembra mais?
Das pessoas das quais você não lembra
Quem é que te esquece mais?

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segunda-feira, 1 de março de 2010

Dez anos depois

No último dia 23 de fevereiro, fez dez anos que meu esposo e eu começamos a namorar.
Engraçado que  minha memória me trai muitas vezes, mas deste começo, eu nunca esqueci.
"Podemos dizer que estamos namorando?"
"Essa loucura vai até onde você quiser."
"Com você, eu vou até o céu."
"Por enquanto, só namorada. Deixa o resto do céu para depois."


Claramente não encontramos o céu, longe disso. Nosso relacionamento  superou tormentas de vários matizes, até chegarmos a este patamar, dez anos depois: dois filhos, casa própria, cortinas nas janelas, sobreviventes de nós mesmos e ainda de mãos dadas.
Eu poderia plagear aquela frase ultra-romântica que li em certo lugar "E então eles se deram as mãos e nunca mais soltaram", mas então estaria mentindo. Nesses anos, nós soltamos as mãos, mais de uma vez. Cada um a seu tempo, desejamos nunca ter cruzado o caminho do outro. Entretanto, estamos aqui. "Sobreviventes felizes de mil tormentas". E se não vimos o céu, vimos nosso mundo mudar. Hoje sabemos que nada nos vai separar, nem falhas nossas nem mal.
Não é a coisa mais poética de todo  o universo. Não é cinematográfica. Mas é real, porque é nosso. Nós construímos isso. Nós lutamos por isso. Nós estamos juntos.
Eu o conheci aos dezesseis anos e soube que ele era quem eu queria comigo pela vida inteira. Ficar com ele custou tudo o que eu tinha,è muitas vezes parece que custou mais: custou tudo que eu tinha e era. Eu tive de deixar tudo para trás e me reformular inteira. Custou caro, e eu ainda estou pagando. Mas, se o tempo voltasse e eu tivesse que escolher denovo, e apostar tudo que eu tinha e era em um único lance da minha vida, outra vez eu apostaria. E se as parcelas ficassem tão altas, como eventualmente ficaram, a ponto de eu precisar pedir empréstimos em tratamentos para minha saúde emocional, eu pediria, e se mais eu tivesse que pagar, eu pagaria, porque nessa vida eu sei que perto dele é o meu lugar.

Eu poderia escrever mais. Poderia escrever coisas tão romanticamente descabeladas que ele sequer acreditaria que saíram de mim, mas não precisa. A realidade é suficiente. O testemunho diário basta para provar que eu falava sério quando disse que o amava e que aquela loucura iria até onde ele quisesse. E se ainda não encontramos o céu, certamente encontramos o sentido, o que, em se tratando de vida n a Terra, é buscado sem ser encontrado muitas vezes, por existências inteiras.

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Inveja

A teoria é linda e legítima. Eu entendi e aceito.
Mas uma das coisas mais difíceis dessa vida é querer o que não se
deve querer, sentir o que se sabe que é errado. Não é o difícil, que
você
mete a cara e faz fácil; mas sentir o que é errado, o que não devia
sequer ser pensado. Saber que se alberga ainda todos os sentimentos
negativos que fazem você torcer o nariz quando surpreendidos nas outras
pessoas, e não poder fazer nada além de assumir que você também os tem.
Estar a mercê do seu lado negro e não ter a "escova moral" para
esfregá-lo e torná-lo branco. Sentir a dor da inveja, a submissão do
vitimismo, ah, sim, é ruim demais. Talvez eu só precise de um problema
de verdade - mais um?

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domingo, 13 de dezembro de 2009

Prece

Definitivamente, Mestre, uma das conquistas mais difíceis no caminho do
auto-conhecimento é a de não confundir considerar o erro comoparte do
processo de amadurecimeto com ser conivente com eles. Enquanto continuo
nessa busca, ouso rogar, Senhor, que me dê forças para ser melhor a
cada dia, afim de que possa melhor servir os filhos que me confiaste.

Assim seja...

Jo, cansada, masprecisando escreer isto.

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domingo, 15 de novembro de 2009

Quando se pretende...

Quando se pretende falar de vida
Do amor fluindo e refluindo
Das construções da alma, dos relacionamentos e do tempo,
há que tirar os sapatos
Há que derrubar os muros da fortaleza que erigimos a nosso redor
muitas vezes com mentiras e inferências irreais
Apenas para soptar a certeza de que não temos muito controle.

Quando se pretende falar de vida
Há que se viver intensamente
E isso pode, ou não, ser um discurso eloquente suficiente
Porque a vida não se diz
Vive-se, simplesmente.

Quando se pretende falar de vida
há que encher os olhos de lágrimas
a boca de sorrisos
os cabelos de ventos
o coração de esperança
e as esperanças de plena aceitação.

Quando se pretende falar de vida
Há que se encontrar alguém a quem oferecer a mão
Aceitar, fechar os olhos, cantar uma canção
Comungar com a arte
renunciar à sua parte
de ter que ter sempre razão.

Quando se pretende falar de vida
A própria vida impõe o tom
Doação, permissão, abnegação
determinação, foco, luz, improvisação

Quando se pretende falar de vida
Nem tudo é simplesmente decidido e dito
Muita coisa precisa sair de improviso
E nem sempre há tempo para retificação.

Quando se pretende falar de vida
Por vezes ela se atraveça e encerra a questão.
Risca o ponto, enfia uma vírgula
Salpica com tinta de vivência a nossa interrogação.

Quando se pretende falar de vida
Aproxima-se. Acredita-se. OUsa-se. Aceita-se. Improvisa-se. Vive-se.

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segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Extática

24 de Fevereiro de 2009
Estática

Ela começa suave, insidiosa... As notas fluem numa harmonia discreta,
sutil, quase pueril demais para existir. Então os sons cascateiam,
serpenteiam, envolvendo-me, seduzindo-me, tão delicado que não posso
resistir. As notas agora fluem ao meu redor. As pontes perfeitas, nos
lugares certos, a harmonia criando, ousando, confundindo, os compassos
atropelando-se de uma forma que, de tão doce, é atordoante... Os olhos
fechados, por favor, faça isso... Possua-me completamente... Os acordes
e a harmonia quase na mesma oitava, fluindo, doces, ternos, suaves, a
cantiga de ninar perfeita, deslizando pelos meus ouvidos, tomando meus
cabelos, as pétalas das notas brincando como cetim em minhas mãos...
Perfeito, perfeito, perfeito... O êxtase me domina... É como se
brevemente pudesse deixar de tocar o chão. Com efeito as notas, cada vez
mais leves, parecem ter evaporado parte do peso de meu próprio corpo.
Então a melodia expira, lenta, delicada e perfeitamente... Na hora
certa, num decrescente que pede por mais, que, de tão perfeito, faz-me
desejar poder voltar, e ouvir e ouvir o final, enquanto o vibrato
perfeito da última cadência se estingüe sem preça, pela madrugada
calada. Tanta perfeição em uma música me faz sentir a que pícaros de
requinte e sutileza, de doçura e fluidez a alma humana pode chegar.

etiquetas: música , pessoal

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sexta-feira, 16 de outubro de 2009

adonde vamos

Dime, amor mio
Donde estan tus pasos
ya que por tu ruta me voy.

Dime, cariño, dónde estan tus manos
ya que en ellas estoy.

Dime, corasón, dónde estan tus latidos
pues que contigo esta mi condición.

Dime, tesoro, adónde no vas a pisar
Para que yo sepa cómo no me estraviar.

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Um sonho

Tenho um sonho de estrelas
De nuvens feitas mensagens do coração
pulsando esperanças em esferas
Estratosferas de flores e reconquistas...

Tenho um sonho de fé,
Sustentado pelo amor
Pelo amor de meus amores
Pelas flores dos jardins mais prósperos.

Tenho um sonho de paz
De consciência e coragem
De alegria e vontade
De força de existir.

Tenho um sonho que termina aqui
Tenho um sonho que termina em mim

Mas tenho outros sonhos mais
Vendo sonhos em meus quintais
Comparto-os pelos ventos
E eles navegam, tendo por vela o sentimento.

Desejo de paz absoluta
Consciência, saúde, Verdade e pão
Uns sonhos em que todos são irmãos
E em que o amor coroa as atitudes

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quinta-feira, 15 de outubro de 2009

orando

Hoje meu esposo perguntou por que as minhas preces são quase sempre
iguais. Eu respondi que era porque meus anseios não tinham mudado.
Todos os dias eu oro:

Querido Mestre
Obrigada pela vida e pelas oportunidades
Pelo teto e pelo pão
Pela saúde e pela dignidade e pela família...


Obrigada pelo meu corpo
Pela condição de raciocinar
pela dádiva de sentir
E pela misericórdia de poder unir uma coisa a outra.

Se possível, Mestre
Dá-me a coragem de ser boa
De estar no teu caminho estreito
Ajuda-me a ser coerente com meus compromissos,
determinada com as metas que realmente importam
Tolerante com os outros tanto quanto desejo ter tolerância.
Permita que eu consiga manter sempre a perspectiva de que uma fase ruim
é apenas um recorte infinito na eternidade sem fim
Abençoa as crianças
nossa noite de sono
Dá-me saúde e disposição para cuidar dos pequenos.
Obrigada por tudo
Assim seja.

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sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Quantas até aqui

Quantas foi
afinal
de muitos séculos
até aqui?

Até esse momento
Exato e preciso
Quantas até agora?
Quantas sem demora?
Quantas até a hora
Em que me encontro e me reviso?

Em fogueiras e vendavais
Ciclos e séculos e círculos
e erros e escravos e cativos
quantas dentre mortos e vivos?

Quantas após temporais
Após erros inconfessos e redimidos
Quantas de manias e esquivos
Quantas de para sempre e nunca mais?

Quantas fui até esses quintais
Em que minha vida se reintegra e é preciso
Viver para saber o quanto vivo
Para sentir da essência o que toca mais.

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segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Onde...

Onde o torvelinho essencial
Onde a loucura dos dias
A azafama das formigas no formigueiro...

Onde os silêncios confirmados
As lutas reintegradas
A correria dignificante
O suor do cansaço e da lavada de alma...

Onde a força que não se extingue
A determinação que se levanta
O medo que transige
os pés beijando ondas

As ondas provocando os pés
a vida incitando à vida
As feridas se convertendo em cicatrizes
as cicatrizes se tornando mapas...

Onde o nó que desata
A beleza que transborda
o mal que resvala
e em si mesmo se isola...

Onde o beijo certo
as mãos no silêncio reconfortadas
o entrelaçar vigoroso e frágil
as coisas que não elencara.

Onde as mãos que confortam pés
os pés que cingem cabelos
o sublime e atrativo desmantelo
da vida correndo direito e ao revés.

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sexta-feira, 17 de abril de 2009

Silvio...

03 de Março de 2009
Silvio...

"suas carícias ainda são poesia Acaricia com todo o universo te
encurrala com cantos como casas te seduz com beijos como praças E te
mata em prazeres como versos." Nesses tempos de reconstrução Nesses
tempos de uma solidão absurda Em que as palavras desapareceram Em que os
laços se entreteceram de poréns Em que a segurança se entreteve em
senões Em que os meus silêncios são mais persistentes que nunca Em que
nem eu me sei Em que eu tento voltar de onde não vim E me dirigir aonde
jamais estive Sem mapas, sem cartas, só com um norte É impressionante
como só as músicas dele me acham Aonde nem eu sabia que estava.

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domingo, 12 de abril de 2009

Oh, Deus, livrai-me!

Oh, Deus
Livrai-me de pensar que meus problemas são o ápse do sofrimento na Terra
Livrai-me de lamuriar o fato das minhas dores não serem o epicentro do
Universo!
Livrai-me de blasfemar contra os companheiros de jornada porque eles não
entendem o que não digo;
livrai-me de desejar e esperar que eles adegem eternamente em minha
órbita!
Livrai-me de sentir que minhas atribuições são grandes demais!
Livrai-me de desejar o que não tenho e de menoscabar o que me é dado
graciosamente;
livrai-me de esperar retribuição e recompensa
Reconhecimento e gratidão
de ver nos outros mais suas falhas que suas tentativas
E de achar que tenho um rosário de razões.

Nessa Páscoa, oh, Pai
Em que recordamo-nos o martírio de seu filho bem-amado em prol do nosso
crescimento moral para ti
rogo-te, com toda humildade de que sou capaz
Que me permita ir até ao fim de minhas obrigações com dignidade e
desvelo
Com silêncio e compreensão
Vendo ao outro antes de ver a mim
E silenciando quando a compreensão me parecer impossível.
Protege-me e guia-me, senhor
Fortalecendo-me e amparando-me
Dando-me saúde e serenidade
Humildade e determinação
Para, ainda que só
Ainda que em outras partes,
Eu possa seguir sempre contigo.

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quarta-feira, 1 de abril de 2009

Parto - vida - morte

Quando pensamos no parto, obrigatoriamente falamos em vida: na vida
da mãe que muda, na vida do bebê que começa, na vida de todos os
envolvidos - variáveis convergindo para um único ponto, tocando-se
para depois separar-se ou entrelaçar-se, numa ciranda imprevisível e
infinitamente mutável.
Parto é vida, e vida, inevitavelmente, é morte ou, na melhor das
hipóteses, ciclo, transformação. Mas a morte em maiúsculas pode ser uma
convidada do parto. Do seu parto. Do meu parto. E não em um sentido
figurado. Ponhamos as coisas: o bebê que você espera pode não
sobreviver. Claro que ninguém quer isso. Claro que todo o mundo faz tudo
o que pode para evitar. Mas todas as garantias não dão a certeza
absoluta. Complicações de última hora, afecções insuspeitáveis,
dificuldades intransponíveis.. A luta pela vida no parto pode ser
arrebatada pela morte da mãe ou do bebê...
Estive honestamente pensando em como equacionar isso. Em como
equacionar a única escolha de parto confortável para mim com a hipótese
de terminar em morte. Como exorcisar a culpa, a culpa intangível e
destrutora, dando-lhe a atenção indispensável para que seja elaborada e
sendo, a um só tempo, responsável e indiferente, sob pena de que ela me
devore?
Bebês são frágeis, podem não resistir. Podem vir só para aquele
instante, instante pequenininho e infinito, instante prenhe, tão ou mais
que a própria prenhez que o erigiu. Eu não posso querer saber tudo sobre
vida ou morte. Só posso confiar, afinal. Confiar que meu instinto do que
é melhor para nós seja melhor para minha filha. Confiar que o possível
seja suficiente - não é o que toda mãe que vai ao hospital faz? - e que
a vida dos nossos filhos, em última instância, não nos pertence. Nós a
nutrimos e enriquecemos, mas nossos filhos são nossos assim como as
flores são da terra. Elas estão nela, fortalecem-se nela, nutrem-se
dela, apóiam-se nela, mas pertencem sobretudo à natureza, para a qual a
terra é um instrumento em suas mãos invisíveis. Instrumento que ela
dedilha, usa para fazer soar a harmonia da vida... mas a Natureza
embora esteja na terra, não é a terra em si, ainda que se exprece através
dela.
Meu ventre é a terra em que a semente da minha flor menina germina.
Ali ela faz seu ninho. Eu, como mulher-terra, dou-lhe condições de
germinar dentro de mim. Ventre areia, terra mulher, flor embrião, feto,
afeto, bebê, menininha...
Mamífera por excelência, uso meus instintos para farejar o melhor
ninho para minha flor-estrela. Farejo, sinto, conecto-me a mim. Procuro
a segurança e o conforto para parir, e é só isso que posso fazer. Como a
terra não pode proteger a flor das intempéries dos insetos, dos ventos,
das chuvas, eu não posso proteger minha filha de todas as variáveis
imprevisíveis. E como a terra entrega à natureza a sobrevivência de sua
flor, trocando o posto de superpoderosa para o de serva fiel e humilde,
assim eu faço em relação a minha flor filha. Entrego-a terna e
humildemente à vida, e confio, sobretudo, em que o melhor para nós
aconteça, mesmo que eu não entenda.
E se eu não posso, como terra, como mãe, prever todas as variáveis e
protegê-la de tudo, posso amá-la sobremaneira e envolvê-la com o melhor
de mim.E é assim que a flor retorna à sua condição inicial de flor
estrela, e flor-estrela também é borboleta, amante das flores e membro
do céu. Assim que sua opção de nascimento se entrelaça ao seu nome, e
com ele vive, desde o primeiro segundo de vida, o temor e a glória de
ser um ser da terra, mas também pertencer ao céu.
Minha filha não é *minha* filha. Ela vem por mim e por ela eu sou
responsável, mas sobretudo pertence à vida. A ela eu me entrego e
entrego o que houver de melhor em minha própria essência. Nela tento
incutir meus valores e minhas esperanças, sem fazer dela um espelho, nem
de mim mesma, nem constrangida a refletir meus desejos... Mesmo meu
desejo de que ela possa, efetivamente, trilhar de mãos dadas esse
caminho comigo.
Assim que, ao me preparar para o parto de Mariles, eu me preparo
para o parto de Mariles. Cubro as variáveis previsíveis. Cuido para que
não lhe falte nada, e entrego-a à vida, ainda que, até o fim, esteja de
joelhos a seus pés, com seu coração entre as mãos.

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terça-feira, 24 de março de 2009

Superação, simplesmente

Duas coisas:
Estava eu aqui, relendo "lua nova", e antes que me chamem de viciada,
deixa eu continuar... Estava justo naquela cena em que a festa de
aniversário da Bella vira quase um jantar em que ela seria a comida... E
fiquei observando o Edward, precisando se superar ao máximo para ficar
com ela, quando seu desejo, muito provavelmente, seria beber seu
sangue... Nisso, vem na minha cabeça um trechho da música de "o rei leão
II" (sim, definitivamente essa reflexão não está ancorada nos
clássicos), cujo trecho inicial diz assim: "você deve compreender / que
nem tudo vai ser / só diversão. / Pois um dia, meu amor / a tristeza e a
dor / também virão.
Mas nós vamos ficar juntos em todo lugar / quando não há caminho algum /
vocÊ vai conseguir a coragem pra seguir / então vai descobrir Somos um/
(...) na alegria ou na dor / nossa força é o amor / é só ver para crer /
somos um".
E caiu pra mim uma "ficha emocional" sobre o sentido da vida na
Terra... A gente não veio aqui pra se divertir; a gente nem veio aqui
pra ser feliz; a gente veio aqui pra aprender a se superar... Em tudo.
Na alegria, na tristeza, aprendendo a ver além, aprendendo a ver outros
pontos de vista que não os nossos, aprendendo a superar a dor física, a
dor emocional, encontrar resistência na própria fragilidade...
Quase nada de realmente bom foi fácil pra mim, e às vezes eu penso
que as dificuldades são inerentes às minhas necessidades de crescimento.
Então eu meio que descobri o que fazia minha cabeça no Edward e em
tantos personagens pelos quais estive fascinada, em um maior ou menor
espaço de tempo. Todos eles precisavam se superar para atingir seus
objetivos. Todos eles tentavam ser melhores do que eram; todos eles só
alcançavam seus objetivos, só realizavam seus sonhos, se conseguissem
aprender a serem melhores do que eram, se conseguissem sair de si
mesmos, se conseguissem crescer. Eles nunca precisavam enfrentar a sério
obstáculos externos para atingir seus objetivos; a ponte, a chave,
estava neles mesmos... E acho que é isso que eu preciso intronizar,
emocionalmente.
Eu não posso epserar que nada seja fácil. Eu não posso esperar o
conforto ou a compensação. Eu meramente devo ir em frente, tentando
fazer o melhor que puder aonde estiver, convicta de que, por maiores que
sejam os obstáculos que existam fora de mim, dentro de mim est/ao as
chaves para superar, entende? O foco, o grande foco, não são os outros;
sou eu mesma. Porque os outros eu não controlo, mas a mim eu posso
controlar.

" Afinal, nunca fora seu propósito transcender as emoções de um homem racional, e sim refiná-las, reinventá-las, deliciar-se
com elas numa compreensão infinitamente aperfeiçoável."
(Anne Rice, sangue e ouro))

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sexta-feira, 13 de março de 2009

Águas de parir

Como pode umas águas que estão longe te arrastarem assim?
Você olha, você sente, pergunta-se por quais caminhos elas te levam, mas não sabe
Não vê
E isso, em certa medida
Simplesmente não importa!

Águas de parir
Águas de gerar
Gerar filho e gestar mãe
Pra depois explodir em cataratas de intensidade
Te arrastando aonde você nem sabe
Mas nem adianta perguntar
Nem vontade de resistir dá.

Águas de parir
Que te constrangem a seguir
E você deixa de ter escolha
Exceto a única escolha
De simplesmente parir.

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  ©Template Blogger Writer II by Dicas Blogger.

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