Frase

"A noção do dever bem cumprido,ainda que todos os homens permaneçam contra nós, é uma luz firme para o dia e abençoado
travesseiro para a noite."
(Os Mensageiros)


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sábado, 28 de agosto de 2010

Carta de um bebê

Tinha medo de tudo ao nascer. O mundo era gigante, estranho e
assustador. Meus olhos se incomodavam com a luz; meus ouvidos se
assustavam com os sons. Você era o sinônimo de segurança, mas logo ficou
incomodada com minha dependência.
Se chorava desejando seu colo e seu seio, você me oferecia
brinquedos ou luzes para que me distraísse. Se a segurança que sentia
quando me alimentava me fazia desejar mais e mais, oferecia-me
mamadeiras, na esperança de que eu dormisse por mais tempo e te desse
mais espaço.
Você era meu único referencial e tudo de que precisava. Assim
aprendi que minhas necessidades emocionais poderiam ser substituídas
por conforto material e que não podia expressar livremente meus anseios.

Quando bem pequenino, dava-me brinquedos para não me pegar no colo,
esperando que fosse capaz de ficar mais tempo sozinho. Você queria um
bebê independente e eu precisava de uma mãe presente. Os estímulos para
o desenvolvimento de minha inteligência eram totalmente dispensáveis; o
aconchego que fortaleceria meu ser, não.
Quanto mais eu te
chamava, mais te afastava, até que desisti.
Logo aprendi e solicitava coisas do mundo quando precisava de coisas do
coração.
Você se sentia culpada e me compensava; eu me sentia lezado e
exigia. Era inconsciente, mas estava lá o mecanismo.
Hoje não sei como me conectar às pessoas, quando tive tantos hiatos
nessa primeira conexão. Que modelo seguir? Como atrair sua atenção para
que apenas fique perto de mim?

Sob as luzes da televisão e do monitor do pc eu a observo, e parece que às vezes foge
de mim. Trabalhando para me dar coisas para não me olhar nos olhos,
será? Fazendo cursos, aprendendo tanto sobre tanto, para não
saber tudo de mim, talvez? Por que sempre que chega perto de mim, parece
esperar pelo melhor momento para ir embora?
Contigo aprendi a não ter medo do escuro, dos monstros do armário e
da televisão. Sempre existe uma explicação lógica. Todavia, jamais me
souberam explicar porque o amor mete tanto medo.

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terça-feira, 10 de agosto de 2010

Prece

Mestre,
Peço sua ajuda para conseguir discordar sem perder o respeito
Auxiliar sem julgar
Er o mínimo de boa-vontade com quem não parece ter, nem iniciativa.nem espírito de auto crítica.
Ajudai-me a tratar as pessoas como gostaria de ser tratada.a expor meus pontos de vista sem melindres
E a não me expor desnecessariamente.
Enfim, mestre,. Rogo-te sabedoria....

Assim seja.

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segunda-feira, 1 de março de 2010

Porta Estreita

" Quando estiveres na "porta estreita", dilatando as conquistas da vida eterna, irás também só. Não aguardes teus amigos.
Não te compreenderiam; no entanto, não
deixes de amá-los. São crianças. E toda criança teme e exige muito."

(Caminho, verdade e Vida)

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terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Ir contra a corrente

Vira e mexe, nas listas, aparecem mães reclamando contra os que dão
pitacos não pedidos e fazem críticas descabeladas.
A lista é infindável: começa na escolha do parto e vai se
expraiando, nos mais ínfimos detalhes. Reclamam porque investimos em
partos humanizados, porque amamentamos, porque não deixamos chorar,
porque não damos chupeta, porque usamos sling, porque damos colo
demais, porque não empurramos na escola mal os
pequenos comecem a engatinhar; porque não enchemos de pirulitos e balas,
porque não permitimos que assistam irrestritamente à televisão,
porque questionamos Deus, o mundo e Raimundo.
Os relatos são incríveis, repletos de um mal-estar justificável,
até... Mas de boa, minhas amigas, pior que pagar o preço de seguir na
contra-mão e ser criticada por isso, é ir contra a própria consciência
e os próprios instintos. Ah, sim, isso dói. Muito. Muito mais que
qualquer crítica que possam fazer às nossas escolhas maternas.

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domingo, 31 de janeiro de 2010

A caminho...

Em dias como hoje, em que eu me imponho a mim e mal sei como dar o
próximo passo, isso calha como música.



A CONDUTA CRISTÃ

Ibraim ben Azor, o cameleiro, entrou na residência acanhada de Simão e, à frente do Cristo, que o fitava de olhos translúcidos, pediu instruções da Boa-Nova, ao
que Jesus respondeu com a doçura habitual, tecendo considerações preciosas e simples, em torno do Reino de Deus no coração dos homens. Mestre perguntou Ibraim,
desejando conhecer as normas evangélicas , na hipótese de aceitar a nova revelação, como me comportarei. perante as criaturas de má-fé? Perdoarás e trabalharás
sempre, fazendo quanto possível para que se coloquem no nível de tua compreensão, desculpando-as e amparando-as, infinitamente. E se me cercarem todos os dias?
Continuarás perdoando e trabalhando a benefício delas. Mestre invocou Ibraim, admirado , a calúnia é um braseiro a requeimar-nos o coração... Admitamos que
tais pessoas me vergastem com frases cruéis e apontamentos injustos... Como proceder quando me enlamearem o caminho, atirando-me flechas incendiadas?

Perdoarás e trabalharás sem descanso, possibilitando a renovação do pensamento que a teu respeito fazem. E se me ferirem? Se a violência sujeitar-me à poeira
e a traição golpear-me pelas costas? Se meu sangue correr, em louvor da perversidade? Perdoarás e trabalharás, curando as próprias chagas, com a disposição de
servir, invariavelmente, na certeza de que as leis do Justo Juiz se cumprirão sem prejuízo dum ceitil. Senhor clamou o consulente desapontado , e se a pesada
mão dos ignorantes ameaçar-me a casa? se a maldade perseguir-me a família, dilacerando os meus nos interesses mais caros? Perdoarás e trabalharás a fim de que
a normalidade se reajuste sem ódios, compreendendo que há milhões de seres na Terra fustigados por aflições maiores que a tua, cabendo-nos a obrigação de auxiliar,
não somente os que se fazem detentores do nosso bem-querer, mas também a todos os irmãos em Humanidade que o Pai nos recomenda amar e ajudar, incessantemente. Ibraim,
assombrado, indagou, de novo :

Senhor, e se me prenderem por homicida e ladrão, sem que eu tenha culpa? Perdoarás e trabalharás, agindo sempre segundo as sugestões do bem, convencido de que
o homem pode encarcerar o corpo, mas nunca algemará a idéia pura, nobre e livre. Mestre prosseguiu o cameleiro, intrigado , e se me prostrarem no leito? Se
me crivarem de úlceras, impossibilitando-me qualquer ação? Como trabalhar de braços imobilizados, quando nos resta apenas o direito de chorar? Perdoarás e trabalharás
com o sorriso da paciência fiel, cultivando a oração e o entendimento no espírito edificado, confiando na Proteção do Pai Celestial que envia socorro e alimento
aos próprios vermes anônimos do mundo. Mestre, e se, por fim, me matarem? se depois de todos os sacrifícios aparecer a morte por estrada inevitável? Demandarás
o túmulo, perdoando e trabalhando na ação gloriosa, em benefício de todos, conservando a paz sublime da consciência. Entre estupefato e aflito, Ibraim voltou a indagar
depois de alguns instantes: Senhor, e se eu conseguir tolerar os ignorantes e os maus, ajudando-os e recebendo-lhes os insultos como benefícios, oferecendo a luz
pela sombra e o bem pelo mal, se encarar, com serenidade, os golpes arremessados contra os meus, se receber feridas e sarcasmos sem reclamação e se aceitar a própria
morte, guardando sincera compaixão por meus algozes? Que lugar destacado me caberá, diante da grandeza divina? que título honroso exibirei? Jesus, sem alterar-se,
considerou : Depois de todos os nossos deveres integralmente cumpridos, não passamos de meros servidores, à face do Pai, a quem pertence o Universo, desde o grão
de areia às estrelas.

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sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Do muito ou do pouco a dar

Não tenho a quem culpar que não seja eu mesma por minhas mazelas,
dificuldades recorrentes de amar e progredir na humildade construtiva.
Hoje posso dizer, sem medo de parecer dramática ou ridícula, que eu sou
a maior adversária de mim mesma e aprincipal agravadora das penas que
a mim, como a todos, são naturais.
Nessa esteira, a maternidade é búçola sagrada a me orientar o
caminho, é a estrada santificante que, ao tempo em que me absorve, me
absolve de mim mesma, norteia meus passos, revisa e revisa minha lista de
prioridades emocionais, enxugando, vez à vez, todas as inutilidades.
O compromisso maternal, portanto, nunca me pesou; pelo contrário...
Fortalece-me e alcança-me e protege-me em recessos nos quais,
anteriormente, estava eu isolada, acompanhada apenas por meus demônios e
por minha fé claudicante.
E diante de momentos nos quais os meus defeitos parecem me condenar
ao fracasso moral, a lembrança dos meus pequenos me colhe com toda
força.
Lembro-lhes os gestos, as vidas tenras desabrochando, a
necessidade de dar o melhor de mim para eles, não obstante às dores, não
obstante minha própria fraqueza que, por vezes, de tão avassaladora,
quase me paralisa.,
Paralelo a tudo isso, vem a minha lembrança o quadro de uma mãe
descrita em uma das obras de André Luís. Acuada pelas próprias dores,
desesperada, desiludida e sozinha, Aracélia constrangeu-se ao suicídio.
Anos mais tarde, sua filha, exposta a provas amaríssimas, evoca, no
clímax do desespero, o auxílio materno. Ela responde, naturalmente e,,
entretanto, naquele momento, tem nas mãos vazias apenas a letra de uma
canção. Após ofertá-la, como único tesouro que poderia oferecer, ela
desculpa-se, em pranto copioso, por mais nada ter a oferecer à própria
filha, em transe tão doloroso.
É por isso que, dia após dia, só rogo a Deus forças para seguir com
os propósitos que me direcionam; peço-lhe saúde para que meu vaso físico
cumpra com tudo isso; peço, sobretudo forças morais, para não sucumbir a
mim mesma e, assim, chegar a não ter com o que acudir meus filhos, em
seus momentos de desespero, aprendizado e dor.

Que Deus nos ampare.

****

Embora sem elucidações prévias, não nos era lícito alimentar qualquer dúvida. Aquela, era a
jovem do retrato que Marita conservava, em imagem, nas telas do pensamento. Aracélia, amparada
pela doce afeição de venerável amiga, ali estava, diante de nós! Mãe amorosa, vinha talvez
de muito longe para acudir às angústias da filha''' Enternecendo-nos, a pobre mãe ajoelhou-se
para beijar-lhe os cabelos''' E, oh! segredos insondáveis da Providência Divina!''' Quem
conseguirá definir com palavras humanas a essência do amor que Deus situou nas entranhas
maternas?!''' A dama inclinou-se, muito de manso, e abraçou-a, com ternura, à maneira de planta
que se fechasse sobre a única flor que lhe nascera'''
A castigada menina acalmou-se de súbito. Adivinhando a visita pela qual suspirava, alijou a
tensão, percebendo-se mentalmente ocupada pela presença da genitora, cujos traços tentava,
afetuosa, lembrar e reconstituir.
Outro quadro, entretanto, superpôs-se, comovedor.
Aracélia, que orava e chorava em profundo silêncio, buscava em pensamento outra mulher, cuja
evocação lhe renovava as energias.
A mãe desencarnada via-se pequenina, junto da lavadeira singela que a trouxera, na
reencarnação última, para o teatro da vida humana. Identificava-se criança, agarrada à saia
daquela moça doente, que mergulhava as pernas no rio para ganhar o pão''' Tão fundo atingia a
acústica da memória, que chegava a escutar o ruído daquelas mãos miúdas, esfregando as peças
ensaboadas''' Recolhia-lhe, de novo, o olhar meigo, em que lhe pedia paciência''' Calada, na
areia, por vezes esperava, esperava, depois que a mãezinha lhe repunha o corpo frágil, à curta
distância, a fim de atender ao serviço''' E rememorava o enlevo e o júbilo que sentia, quando
os braços maternos a retomavam, para fazê-la dormir, ao som do velho estribilho, a que se
acostumara no lar de telha vã'''
De olhos parados, como se buscasse, além, no espaço infinito, o colo agasalhante que o tempo
arrebatara, assumiu nova posição, colocando a cabeça da jovem no próprio regaço e, emocionando-se
até às lágrimas, qual se tivesse nos lábios aqueles lábios de mãe, humilde e enferma, que jamais
esqueceria, Aracélia, em pranto resignado, cantou suavemente diante de nós:

Lindo anjo de meus passos,ã
Descansa, meu doce bem;ã
Dorme, dorme nos meus braços,ã
Enquanto a noite não vem.ã
dorme, filhinha querida,ã
Não chores, encanto meu;ã
Dorme, dorme, minha vida,ã
Tesouro que Deus me deu'''ãã

Qual se fora repentinamente magnetizada, Marita caiu em pesado sono.
Isso feito, a senhora, que tutelava a companheira, atraiu-a brandamente de encontro ao peito,
no manifesto propósito de consolá-la e, segurando-a, falou-nos triste:
-- Irmãos, nossa Aracélia ainda não está em condições de amparar a filha.
E, ajuntou, entre gentil e desapontada:
-- Perdoem-nos a interferência. Nós, as mães, em certas dificuldades, nada mais temos que
alguma velha canção para dar aos nossos filhos!'''
Em seguida, retirou-se sustendo Aracélia, que se lhe refugiara nos braços, soluçando'''

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terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Educação no lar

EDUCAÇÃO NO LAR

"Vós fazeis o que também vistes junto de vosso pai." - Jesus. (JOÃO, capítulo 8, versículo 38.)

Preconiza-se na atualidade do mundo uma educação pela liberdade plena dos instintos do homem, olvidando-se, pouco a
pouco, os antigos ensinamentos quanto à formação
do caráter no lar; a coletividade, porém, cedo ou tarde, será compelida a reajustar seus propósitos.
Os pais humanos têm de ser os primeiros mentores da criatura. De sua missão amorosa, decorre a organização do ambiente
justo. Meios corrompidos significam maus
pais entre os que, a peso de longos sacrifícios, conseguem manter, na invigilância coletiva, a segurança possível contra
a desordem ameaçadora. A tarefa doméstica
nunca será uma válvula para gozos improdutivos, porque constitui trabalho e cooperação com Deus. O homem ou a mulher que
desejam ao mesmo tempo ser pais e gozadores
da vida terrestre, estão cegos e terminarão seus loucos esforços, espiritualmente falando, na vala comum da inutilidade.
Debalde se improvisarão sociólogos para substituir a educação no lar por sucedâneos abstrusos que envenenam a alma.
Só um espírito que haja compreendido a paternidade
de Deus, acima de tudo, consegue escapar à lei pela qual os filhos sempre imitarão os pais, ainda quando estes sejam perversos.
Ouçamos a palavra do Cristo e, se tendes filhos na Terra, guardai a declaração do Mestre, como advertência.

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quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Melhor que papai-noel

Eu adoro presentear. É uma de minhas poucas virtudes. ANiversários,
chegadas, partidas, datas comemorativas - tudo é desculpa para dar
presentes. Também gosto de receber, mas confesso que nada se compara a
dar algo a alguém. Quando o presente tem algo de artesanal, então!... É
meu paraízo.
Também adoro o Natal. Por toda significação cristã. Por todos os
vôos da caridade - mesmo que em muitos casos seja impulso de uma noite
apenas, o gosto de fazer o bem pode ser aliciante para alguém..
Não tenho nada contra papai-noel, do mesmo jeito que respeito muito
o coelhinho da Páscoa. Mas no nosso dia-a-dia, eles são símbolos, nada
mais. Ocoelhinho simboliza a fertilidade e uma certa doçura; o
Papai-noel, o desprendimento e o carinho desinteressado. Mas o coelhinho
não deixa ovos aqui em casa, tampouco Papai-Noel nos visita com seu
trenó.
Descolorir a infância? Não acredito. Se na imaginação pode haver
doçura, "olhos de ver" também podem encontrá-la na realidade... Que não
desaparecerá quando a criança crescer e, simplesmente, descobrir que
"era mentira".
Acho o mito do Papai-Noel insubstancial. A realidade do Natal, das
pessoas se movendo em torno de objetivos mais sutis, muito mais
enternecedor e relacionado ao universo infantil.
No nosso primeiro natal com Estêvão mais velhinho, montamos a árvore
juntos, e ele ainda fez alguns enfeites quase sozinho. Adotamos um
garoto na creche e, juntos, compramos as coisinhas da cesta dele.
Estêvão nos ajudou a escolher as meias, a camisa e o brinquedo.
A caixa sobre o guarda-roupa, ele sabe que é seu presente de Natal.
Todos os dias olha para ela, curioso, e pergunta se o Natal já chegou.
Eu digo que ainda não, e então ficamos brincando juntos, com ele
tentando adivinhar o que teria lá dentro. Acho que pode ser que nos
divirtamos mais imaginando o que tem lá, que aproveitando o conteúdo.
Todas as noites ligamos o pisca da nossa arvorezinha inventada. Ele
adora ver as luzes piscarem, e muitas vezes, falo de Jesus para ele.
Digam o que disserem, Natal sempre me lembra o nascimento de Jesus e as
diretrizes que ele nos deixou. Acho que nos próximos anos poderei
fazer-lhe uma exposição mais detalhada, mas agora, o essencial é dizer
muito com poucas palavras: no Natal comemoramos o nascimento de Jesus,
porque ele ajudou a explicar o que é amor para as pessoas do mundo. Ahn,
o que é amor? Amor é... *pausa. Como flar de amor para uma criança de
dois anos e meio?* Amor é "nunca, nunca abandonar". Disso ele entende. E
enquanto ele mexe no presépio de cera, eu explico o que representa quem.
"Jesus nasceu junto com os bichinhos." Digo, mas não explico mais nada.
Por enquanto, acho que ele associa o Natal a uma caixa misteriosa
sobre o guarda-roupa, a comprar coisas boas para um menino que ele nunca
viu e a falar de Jesus sob as luzes de um pisca-pisca. Não é muito,
talvez, mas é bem melhor que papai-noel.

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domingo, 29 de novembro de 2009

Do bom e do melhor para nossos pequenos

Vamos lá, não é pecado admitir: todas queremos dar do bom e do
melhor para nossos pequenos e, para isso, sacrifícios não são
economizados.
Para além da melhor escola, segundo nosso ponto de vista, das
melhores condições, desejamos ofertar-lhes o melhor de nós mesmos, de
nossas experiências, de nosso amor e nossas escolhas.
Nessa esteira, o leque de abordagens é variegadíssimo e, hoje,
gostaria de falar apenas de uma das vertentes...
Tudo começou quando uma das escolas daqui decidiu oferecer uma
festa, aparentemente para atrair os pequenos do bairro. Com efeito, o
evento contou com pula-pula, brincadeiras direcionadas, cama elástica,
piscina de bolinhas, escorregadores e doces de graça, tudo isso regado a
mais discutível música popular.
A descrição é simples. Por favor, pegue os temas mais rasteiros da
nossa década e amarre no fundo da lista um elástico extremamente
resistente. Agora, vá tracionando, tracionando. Quando o elástico
partir, terá o nível das canções oferecidas aos convidados.
Nós mal tínhamos nos posto a caminho quando marido e eu decretamos:
ele volta. E até hoje nos sentimos gratos porque a rua não dispunha de
pedras avulsas.
- O quê????? Ele não vai?????
- Não. Essa música é imprópria para crianças.
Dentre as frases de discordância, uma se destacou:
- Eles têm que conhecer o ruim, para valorizar o que é bom.
Discordo absolutamente. O contato com o que é bom sensibiliza e
sutiliza o espírito para reconhecer o que é ruim; o contato com o ruim
dificulta ao indivíduo reconhecer e valorizar o que é bom.
Com efeito, todos sabem da ojeriza que tenho com a superproteção.
Entretanto, não expor não é superproteger, mas propiciar à semente que
são
nossos filhos, solo fértil para florescer com saúde e direcionamento.
A personalidade de meus filhos está, pouco a pouco, expondo seus
galhinhos tenros de consciência ao Sol do mundo. Para que elas cresçam com
segurança, proporciono-lhes "do bom e do melhor": a comida mais natural
possível; as roupas, livres de apelos violentos e desnecessariamente
eróticos; o lar dedetizado regularmente, para que não sofram com
formigas e baratas; a atmosfera nutrida de músicas bem construídas ou,
ao menos, dignas; as vestes limpas, prontas para o uso necessário; os
pratos e demais utensílios domésticos, preservados do lodo e das
contaminações. É simplesmente parte integrante do meu papel de mãe.
Naturalmente eles terão contato com o impróprio e o vulgar, com o
lodo e a sujidade, no sentido literal e figurado. Mas, quando isso
acontecer, desejo que eles tenham escolha; que tenham elemento de
comparação, para, assim, estarem realmente livres para, a seu tempo,
escolherem o seu "do bom e do melhor".

***

Eram cerca de onze horas da manhã de hoje. Mariles estava no sling,
estendendo os bracinhos para uma bonequinha de pano. Ao nosso lado, pai
e filho enfileiravam carrinhos. No som, ouvíamos músicas sobre a
natureza, o cheiro de flores, a alegria de se ter amigos.
Fiquei extremamente feliz de repente: meu filho é apenas um
menininho. Não sabe ainda nada sobre as coisas bizarras das quais
falavam as músicas de outro dia, embora, certamente, fosse incapaz de
ignorar a psicosfera, ainda que em nível subconsciente. E enquanto ele
não sabe dessas coisas, eu lhe falo de amor, de emprestar os brinquedos,
de fazer carinho na irmã pequena, de pedir desculpas e de aceitar
perdão, de guardar o que brinca e colocar o prato na pia. Minha postura pode ser resumida por uma imagem muito simples: o Sol, capaz de fortalecer as plantinhas mais crescidas, também pode gretar e sufocar a semente que é jovem demais para suportar-lhe o calor intenso.
Queridos que não se importam com a música que seus filhos escutam,
respeito sua postura. Sei que, vocês também, estão tentando dar "do bom
e do melhor" para seus pequenos. Eu, por minha vez, também estou apenas
tentando fazer minha parte.

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sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Arquivo pessoal

Alguém, por acaso, leu os 8 ou 9 volumes de "a bicicleta azul"? Bem, eu
parei no quinto, acho, e até hoje não consegui terminar.
Mas, tentando liberar espaço em disco para instalar um programa,
deparei com esses trec hos escolhidos do quarto volume da série.. Colo
abaixo. A essência é muito boa...

O caminho da vida e o da paz passam para os indivíduos e para os povos, pelo
enriquecimento do diálogo e a aceitação da partilha, seja qual for o seu nome. As loucuras
sangrentas às quais temos presenciado não representam a exacerbação do desespero diante de
qualquer recusa e rejeição? Minha angústia consiste na convicção, na intuição de que a
humanidade caminha inevitavelmente para sua perda se não voltar a se questionar, se não
encontrar com a maior urgência o sentido do Eterno e seu corolário: a exigência do Amor com A
maiúsculo. A única opção viável é o nascimento de um novo homem ou o risco de ver
desaparecer da história universal a humanidade enlouquecida. O novo homem será aquele que
perceber que é impossível ser completamente feliz sem os outros, e menos ainda contra os outros.
Aquele que estiver convicto de que, se for preciso continuar a luta para que reine a liberdade nos
lugares e nos corações onde ela ainda não existe, é preciso igualmente lembrar-se do objetivo
fundamental dessa liberdade, seu sentido verdadeiro que ultrapassa a liberdade pela liberdade.
Caso contrário, ao invés de nos libertarmos, cairemos novamente sob a opressão (da ideologia,
da intolerância, do ódio) ou na escravidão (do poder, do dinheiro, do egoísmo exacerbado). Os
caminhos da vida, da paz, passam, para todos os indivíduos e para todos os povos, pelo
enriquecimento do diálogo e a aceitação da partilha, seja qual for o seu nome."
"Aonde você for, não se
esqueça das coisas simples, seja receptiva às outras, abandone todo egoísmo, é amando que se é
amado. Não tenha medo de viver de olhos abertos, sabendo da existência de todos os horrores do
mal e das maravilhas do belo; não tenha medo de ir ao encontro do novo. O absurdo absoluto para
um ser humano é de saber que está vivo sem nenhum objetivo..."
- Sem nenhum objetivo? É exatamente o meu caso.
- Não tem o direito de falar assim. Pense em todos os desgraçados. "Quando perdemos tudo... (ou
demos tudo), ou então quando enfrentamos enormes dificuldades, existem apenas dois tipos de
comportamento: podemos nos isolar em nossa própria dor, alheios a tudo e a todos, prostrados,
amargos e desesperados; ou então, ao contrário, com a mesma intensidade da nossa dor, podemos
pôr em prática uma abertura, uma espécie de permeabilidade, uma compreensão intuitiva e
apaixonada do desamparo de outrem. Tal atitude, é claro, se faz acompanhar de um violento
combate íntimo. Cada um de nós conserva seu temperamento, suas deficiências, seus defeitos...
Basta enfrentá-los. Ninguém consegue realizar essa tarefa sozinho. Essa abertura é sempre o
resultado de inúmeros encontros. Ora o encontro de vários indivíduos que se entendem de imediato,
que se ajudam uns aos outros e possuem o mesmo desejo de servir. Ora o encontro inicialmente
invisível, surgindo no âmago do ser humano, com o absoluto. A sua maneira, este se manifesta
e, como um amigo íntimo, pergunta "Você quer?', e respondemos 'sim'. Algumas pessoas chamam-
no de Eterno que é Amor. Outras não lhe dão nome algum. Entretanto, essas também o amam e
consentem."
- Consentem com quê?
- "Com o Amor. O amor? Isto é essa violenta paixão, a paixão da comunhão, a qual exige o ato de
servir a quem sofre mais, antes de servir a si próprio. Quem deseja viver em plenitude, seja qual for
sua condição, deve um dia passar por esse caminho. Tal tipo de enriquecimento, de plenitude, que os
únicos limites humanos de número, tempo, espaço e ilusão conseguem romper, só pode ser
alcançado através de uma extrema privação. O mundo só continua viável porque a cada dia, em
toda parte, seres humanos, através de suas desgraças, conseguem se abrir e recusam o isolamento.
Abrem e iluminam um caminho por onde a multidão pode caminhar, aos tropeços, mas sem
desalento. Existem poucos seres humanos que, por não terem sofrido o bastante, ignoram o que
significa sofrer, sofrer sem escapatória. Seriam inocentes devido a tal desconhecimento? Claro que
não. Pois foram concedidos aos seres humanos dois caminhos para penetrar nesse conhecimento:
sofrer inadivertidamente, de alguma maneira, ou então amar. E será que existe alguém capaz de ser
absolvido por ter vivido sem nunca amar?"
- Sofrer dentro de si mesmo!... Como explica então os milhões de homens, mulheres e crianças que
sofreram dentro de si mesmos? Não eram ignorantes nem maus, e o que aconteceu com eles?
- Eu poderia lhe afirmar que dormem na paz do Senhor, no que acredito profundamente; mas você
não aceitaria minha resposta, pois seu coração está repleto de ódio e ressentimento. No entanto,
existe em você uma grande disponibilidade para o amor. Há de chegar o dia em que sua confiança
no homem, na humanidade, voltará a se manifestar... Não ria, conheço as qualidades do seu
coração e sua generosidade. Sob uma capa fútil, talvez, esconde-se uma imensa sensibilidade para
com seus semelhantes, para com seus sofrimentos. "É difícil fazer aceitar que, apesar de tudo, o
Eterno é Amor. Sim, como explicar que é possível ser 'crente apesar de tudo', quando os meios de
comunicação nos mostram simultaneamente todos os horrores e todas as maravilhas do mundo?
Para mim, só foi possível no dia em que compreendi o quanto nos enganamos a respeito do Eterno.
Nós o caricaturamos segundo a nossa imagem humana. Porque, quando o homem é poderoso,
também é dominador; e assim fomos levados a imaginar que o Eterno, pelo fato de ser Todo-
Poderoso, também é dominador..."
- Mas não foi Deus quem nos criou à sua imagem?...
- "É no amor que nos parecemos com Deus. Deus nos criou livres para sermos capazes de amar;
esta liberdade é a verdadeira grandeza do homem. Deus, por ser Amor, é o "Todo-Poderoso-cativo'.
Se Deus fosse dominador, deveria ser condenado. Foi Camus quem afirmou: "Jamais aceitarei
entregar a minha fé a um Eterno criador de um mundo no qual choram e sofrem crianças inocentes.
Convém vingar Deus do insulto que lhe fizeram ao apresentá-lo como Todo-Poderoso-dominador.'
Convém vingá-lo mostrando-o "Todo-Poderoso-cativo-por-amor'. Assim como convém vingar o
homem, pois foi terrivelmente enganado."
- Vingar o homem? Isso sim, mas como?
- "Amando. Vingar o homem, vingar Deus amando."

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quinta-feira, 15 de outubro de 2009

orando

Hoje meu esposo perguntou por que as minhas preces são quase sempre
iguais. Eu respondi que era porque meus anseios não tinham mudado.
Todos os dias eu oro:

Querido Mestre
Obrigada pela vida e pelas oportunidades
Pelo teto e pelo pão
Pela saúde e pela dignidade e pela família...


Obrigada pelo meu corpo
Pela condição de raciocinar
pela dádiva de sentir
E pela misericórdia de poder unir uma coisa a outra.

Se possível, Mestre
Dá-me a coragem de ser boa
De estar no teu caminho estreito
Ajuda-me a ser coerente com meus compromissos,
determinada com as metas que realmente importam
Tolerante com os outros tanto quanto desejo ter tolerância.
Permita que eu consiga manter sempre a perspectiva de que uma fase ruim
é apenas um recorte infinito na eternidade sem fim
Abençoa as crianças
nossa noite de sono
Dá-me saúde e disposição para cuidar dos pequenos.
Obrigada por tudo
Assim seja.

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quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Ficar em casa

Estava lendo "criando Meninos" e encontrei esse trecho... Que me
fortaleceu muito para continuar no caminho que escolhi. Nem sempre ele é
confortável, mas é o único que me deixa em paz.

Para crianças abaixo de três anos, ser cuidado na própria casa por um parente ou uma babá carinhosa é muito melhor do que
urna creche. Elas precisam passar os longos
dias da meninice com pessoas que as considerem muito especiais. As primeiras lições que um menino precisa aprender dizem
respeito a intimidade, confiança, cordialidade,
prazer e bondade. Em resumo Até os seis anos, pertencer ao sexo masculino ou feminino não faz muita diferença, e não se
deve dar importância a isso. A mãe é geralmente
a figura principal, mas o pai pode assumir esse papel. 0 que importa é que haja uma ou duas pessoas-chave para amar a criança
e dar a ela uma posição central nesses
poucos anos. Assim, ela desenvolve segurança e seu cérebro adquire habilidades de comunicação e constrói um amor feito de
aprendizagem e interação. São anos que
passam depressa. Aproveite o seu menino enquanto você pode!

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quarta-feira, 19 de agosto de 2009

A vida na Terra

Um trecho interessante para fechar o dia...

Contentíssima porque achei uma mina. Oxalá tenha alguma pepita de ouro!

"Na fase evolutiva que nos é própria, vemos aqueles que possuem
a vida e os que são possuídos por ela.
Os primeiros aproveitam o dia, enriquecendo-se de valores
permanentes, no rumo das aquisições eternas.
Os segundos são aproveitados pelas forças que orientam as
horas, no jogo das circunstâncias fatais."
(Agostinho, livro "Doutrina e Aplicação")

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domingo, 16 de agosto de 2009

Espiritismo...

Há tempos não via uma mensagem que me parecesse mais sensata... Cai como
luva nos tempos que vivemos...

*********

O espiritismo...
Emmanuel

IRMÃOS, LEMBREMO-NOS SEMPRE
DE QUE O ESPIRITISMO
Visto, pode ser somente fenômeno;
ouvido, pode ser apenas consolação;
vitorioso, pode ser somente festividade;
estudado, pode ser apenas escola;
discutido, pode ser somente sectarismo;
interpretado, pode ser apenas teoria;
propagado, pode ser somente movimentação;
sistematizado, pode ser apenas filosofia;
observado, pode ser somente ciência;
meditado, pode ser apenas doutrina;
sentido, pode ser somente crença. Não nos esqueçamos, porém, de que
Espiritismo aplicado, é VIDA ETERNA com Eterna Libertação.

A codificação trouxe ao mundo uma chave generosa, cuja utilidade se
adapta a numerosas portas. Escolhamos com o Apóstolo, que hoje recordamos, o
caminho da aplicação:
TRABALHO,
SOLIDARIEDADE,
TOLERÂNCIA.
De coração elevado a Jesus, não temos por agora divisa mais nobre a
recordar. Vivei-a na fé consoladora. Espiritismo é Sol. Brilhai na sua Luz.
Livro "DOUTRINA E APLICAÇÃO" – ESPÍRITOS DIVERSOS –
PSICOGRAFIA: FRANCISCO CÂNDIDO XAVIER

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terça-feira, 23 de junho de 2009

Carta de uma Parteira


A queridíssima Ana Cris Duarte, lá do









GAMA
foi convidada ao
Mamíferas
e postou a
carta
que segue abaixo.


   Lindíssima é pouco.....




Carta de uma parteira






por: Ana Cristina Duarte (Mamífera convidada)


Não faz tantos dias que você foi buscar o exame no laboratório (ou
segurou o bastão de exame caseiro nas mãos) e sentiu como se o seu
coração parasse. Positivo. Grávida. Mãe. Mãe?!? E de parado, seu coração
resolveu palpitar ao ritmo da sua adrenalina, fazendo que ia sair pela
boca. Positivo. Grávida. Mãe.
- Alô, Mãe? Você não vai acreditar!
- Alô, Querido? Você não vai acreditar!


Bem, se nem mesmo você acreditava, como fazer os outros acreditarem? E
assim, na dúvida se chorar ou rir, sentido o chão se abrir sob os seus
pés, você percebeu que sua vida ia mudar para sempre. Mal sabia você a
dimensão dessas mudanças. A cada centímetro de barriga avançando,
metros, quilos e litros de mudanças na sua vida. O corpo vai se
amoldando, o sangue enriquece, a mente voa, o coração sente, tudo para
que esse novo ser chegue ao mundo em segurança.


Seus ligamentos estão mais flexíveis, você está mais lenta no raciocínio
lógico e mais rápida nos sentimentos. Você percebe coisas no ar, mas é
incapaz de uma simples conta. Tudo para a chegada desse bebê. Seus
hormônios encharcam seus músculos, que ficam mais suaves, as formas se
arredondam, as glândulas se preparam para produzir prolactina, leite,
ocitocina, aproxima-se o grande momento.


A barriga está pesada, vai à frente anunciando a chegada da criança. Os
dias são mais difíceis, mais longos e tudo te leva a aguardar ainda mais
ansiosa a chegada do seu filho. A magia do nascimento. O mistério da
vida. Seu bebê fez tudo o que deveria fazer, desenvolveu-se
adequadamente e esperou calmamente o dia de conhecer o outro lado. Você
está ansiosa, mas respeita o tempo de seu filho. Você já sabe que é ele
quem decide quando está pronto para vir. Seus pulmões, quando ficam
maduros, começam a liberar uma substância que é quase um bilhete ao seu
corpo: "Mamãe, estou pronto, quero ir aos seus braços, me espere, estou
chegando".


Um dos maiores mistérios, esse de pensar quando será o dia do parto, o
dia da chegada do filho já tão querido. Ele nos dá a dimensão do que é
ser mãe: estar preparada para amar nosso filho independente de suas
decisões. Se ele quer vir no dia do Natal, ou no aniversário do tio, ou
se resolver demorar mais dez dias, você vai amá-lo igual. Quando ele
virá? Como ele virá? Seu corpo já entendeu o recado, seus pulmõezinhos
estão prontos, os hormônios são produzidos e finalmente você sente que
alguma coisa está acontecendo eu seu corpo.


Pouco a pouco seu corpo começa a funcionar sozinho, quando menos você
pensa, melhor ele trabalha. Cada molécula, cada célula está trabalhando
e permitindo que esse maravilhoso milagre aconteça. Basta que você tenha
um profissional que te transmita confiança, um ambiente adequado e seu
corpo vai se transformar num espetáculo da natureza. Cada onda vai
abraçar seu filho, que com coragem e determinação vai avançando
milímetro por milímetro. Cada célula do seu corpo, que foi desenhada
pela natureza para atravessar com segurança esse lindo evento, vai
facilitar a passagem de seu filho. Juntos vocês dançarão o seu mais
importante balé.


A cada milímetro dessa jornada, seu filho vai amadurecendo e se
preparando para a aventura de viver fora do seu ventre. Cada onda é um
abraço, cada força traz coragem. Cada milímetro avançado faz com que seu
pequeno corpo se prepare para os desafios dessa nova vida: regular a
temperatura, respirar, digerir, chorar, comunicar, luz, sons. Ele só tem
uma referência, o útero que o protege e nesse momento ele sabe e sente:
sua mãe está fazendo a parte dela. Sua mãe o esperou! Ela sabe o que é
certo. Ele confia em você. Confie nele.


Mais alguns minutos, as últimas forças, os últimos milímetros e você
sentirá seu corpinho deslizando suavemente através do seu, e no final
aquela sensação maravilhosa de vitória que ambos obtiveram após todo o
esforço. Você conseguiu! Ele conseguiu!


- Bem-vindo meu filho, te esperei tanto, te quis tanto, que saudades de
você. Venha para os meus braços, venha para o meu seio. Eu te aquecerei,
te protegerei, e para sempre te amarei. Você foi forte e corajoso e eu
já me orgulho de você!


Sinta o calor desse pequeno grande corpinho sobre o seu, pele com pele.
Sinta seu cheiro, veja como ele te procura com os olhinhos curiosos. Ele
se acalma no seu corpo, seu calor traz tranquilidade e uma inconfundível
sensação de paz e de amor. Permita a vocês dois essa linda aventura! Ela
é o portal de entrada nessa experiência maravilhosa: Ser Mãe.

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segunda-feira, 22 de junho de 2009

parto - processo

Eu penso na opção por um processo de parto diferenciado como o
humanizado em apenas um passo, um elo para uma escolha de vida mais consciente, mais
alternativa, mais centrada nos sentimentos e na vivência mais plena e
aprofundada das
experiências.
É uma cadeia. O parto
humanizado normalmente conduz a uma postura mais responsável sobre a
amamentação, a saúde dos pequenos, os entretenimentos a que terão acesso
por nossas mãos, à observância mais criteriosa da escola em que os
colocaremos e pode até mesmo culminar em uma preocupação mais ativa com
os valores de vida que vamos lhes passar.
Um caminho de parto, assim, não é um passo isolado, mas um elo, um
processo, um degrau alternativo que, muitas das vezes,
desembocará em outros e outros caminhos alternativos. Trilhar esses
caminhos a sério significa, sim, ouvir; e muito! Significa arcar com
riscos, e não são riscos quaisquer. Dos riscos que a gente encara, o
menor é a desaprovação alheia. E é muito estranho talvez eu dizer isso,
mas, para trilhar esse caminho, é preciso acostumar-se à desaprovação,
aos olhares enviezados, à falta de aceitação dos outros.
Eu estou em vias de tentar um pd. Se eu conseguir, serei
"aquela inconseqüente que não pensa nos riscos e vive inventando moda";
se eu não conseguir, serei "aquela arrogante que inventa moda". Simples
assim. Só que chega um ponto em que temos que simplesmente
continuar. Não tem volta. O medo da "fogueira" não impede a gente de
pular nas chamas, porque as chamas estão dentro da gente já. Nós já
estamos queimando. Os dedos apontados podem nos fazer sofrer ou sentir
decepção, mas não é mais pela direção deles que nós vamos.
Eu gosto de pensar na vida como uma vela que se estingue. Digam o
que disserem sobre a vida após a morte, essa vida física não passa de
uma vela que arde, do momento do nascimento até o suspiro final. Nós
queimamos. Dia após dia, tornamo-nos mais velhos, mais perto do fim (ou
da pausa), mas, de qualquer forma, o tempo não volta.
Então, se é para queimar, se é para arder, que ardamos por aquilo que
grita o nosso coração; que ardamos por aquilo que para nós vale a pena;
que vivamos por algo que nos provoque, que nos estimule, que faça a
nossa vida ter sentido, mesmo quando doer, mesmo quando não tivermos
mais forças para ficar de pé... E a maternidade vale isso. E a escolha
de um processo de parto mais humanizado e digno nos prepara para uma
maternidade mais consciente e ativa. Então, sim, os demais não vão nos
apoiar. Vão apontar os dedos; vão ser os primeiros a diminuir nossas
vitórias e pôr olofotes nas nossas falhas. Sempre tem a turma do "você
não pode" / "eu não te disse" / "quem você pensa que é?".... Mas a gente é que
tem que saber aonde está o nosso coração e seguir. Nós que devemos
saber quem somos, aonde queremos chegar e porquê estamos aqui. Se alguém nos
acompanhar, se alguém nos entender, se alguém nos aceitar, lindo,
maravilhoso, perfeito; mas se não tivermos nada disso, simplesmente
temos que continuar, se a chama fluir de dentro para fora. Não há como
escapar da fogueira, se ela arder dessa forma. Fazê-lo por
praticamente qualquer motivo, tem o peso de uma abjuração perante
a própria consciência... E acredito piamente que essa dor doa mais que a
reprovação dos outros.

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terça-feira, 21 de abril de 2009

Reflexões sobre a maternidade

A maternidade é um evento que te revoluciona,
que te leva, de revolução em revolução, a ser uma pessoa melhor, mais
intensa, mais amorosa. E o amor pelo teu filho, pela tua família, chega
a um ponto em que extrapola e se converte em uma espécie de cumplicidade
e comprometimento com cada vez mais pessoas, até se converter em uma
onda terna e ativa de respeito por todos os seres do planeta.
Quando você gera, então você entra em conexão com o mundo, a terra,
as plantas, os bichos, seus antepassados, a vizinha que também pariu, a
anônima que quer engravidar e não consegue.
E então você tem uma piedade ardente e absurda daquela que quer amar
mas não sabe como, daquela criança cuja mãe é uma maluca consumista,
daquela mãe que está com os braços vazios.
É uma loucura, Fernanda, e a gravidez, bem como os primeiros anos de
um bebê, te jogam nesse turbilhão, e te fazem consciente de uma
realidade muito além dos murinhos invisíveis da tua vida particular. E
não tem como viver isso e se sentir como se nada tivesse acontecendo,
ver tudo como era antes. Teu corpo muda, tua própria vivência e
percepção do feminino em você e nas outras mulheres muda, tua visão do
marido muda... Ou ele pula fora, ou vocês entram numa comunhão para além
de qualquer coisa que hajam experimentado antes...
E tudo isso é lindo, é pleno, mas é exigente. Desde o trabalho de
parto do Estêvão, sinto como se meu ser tivesse se aberto a uma
realidade diferente, cheia de aspectos negativos que eu não conhecia,
mas de uma delicadeza e uma profundidade que me fazem sentir tão
minúscula, tão insignificante, e, a um só tempo, tão poderosa! E a
gravidez da Mariles, de certa forma, ampliou esse ciclo, ampliou minhas
objetivas de percepção, e isso simplesmente me consome demais! De
repente 24 horas é muito tempo para esperar que finde mais um dia para
que eu tenha uma semana a menos de espera por minha filha... Paradoxalmente, 24 horas é
tempo demais para pensar em tudo que eu preciso pensar, para amar tudo
que eu preciso amar, para dar a eles toda atenção que eles precisam e
para ler tanta coisa que tá sendo reescrita dentro de mim.
A maternidade, cada pequeno evento da vida do meu filho, cada
pequena dificuldade, cada vitória, cada tropeço, cada hora de alegria
partilhada, tudo isso faz cair trinta mil fichas na minha cabeça, e eu
simplesmente não consigo, no meio de tudo isso, por exemplo, sentar e
ver uma novela, ler um romance ou qualquer coisa assim.
De repente meu mundo é tão grande, que não cabe em mim, e eu ignoro
tanta coisa, que simplesmente é imperdoável que eu me distraia, antes de
pelo menos molhar os pés na sabedoria da qual minh'alma tem cede.

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sexta-feira, 17 de abril de 2009

A agressividade do meu filho - conclusões

Depois que a reação aos remédios amenizou, a realidade voltou ao
que costumava ser: meu filho tem impulsos agressivos. Não são dos mais
horríveis, não são dos mais urgentes, não são dos mais tenebrosos, mas
são impulsos agressivos.
Para lidar com eles, depois de meses de reflexão e ponderações,
tomei algumas decisões que, creio, são interessantes:
1 - Como acredito em reencarnação, preciso considerar que pode ser a
primeira vez, em milênios, que ele tem contato com outro tipo de
educação. Muito bem, seja, a primeira vez em séculos, pode ser. Como
tal, eu preciso entender que ele não vai mudar hoje, nem amanhã,
independendo do método que eu use. Estamos falando de reorganização de
matrizes de conduta, algo que não se faz do dia para a noite.
Entrementes, é forçoso admitir que eu estou na fase perfeita para
inserir mudanças desse porte: a infância.

2 - Meus métodos de combater sua agressividade passarão,
obrigatoriamente, pelo respeito e pela temperança, mesmo que eu própria
precise me reformular para isso. Se eu quero que ele entenda que bater
não é legal, não posso nunca bater nele; se eu quero que ele entenda que
o respeito aos outros é bom, preciso lhe mostrar na própria pele como é
ser respeitado. Ele precisa sentir, com todos os meios ao seu alcance,
que existe, sim, outra forma de reagir e conviver com as pessoas.

3 - Ao respeitá-lo, porém, eu não vou me submeter a ele, faça ele o que
fizer. Respeitá-lo não significa levar beliscões e pontapés. Não
agredi-lo não significa deixar que ele me agrida; e se me impor não
inclui o agredir, tampouco incluirá permitir que ele o faça.
Quando ele for agressivo comigo e diálogo não resolver, vou dizer
simplesmente que nessa família não se faz assim, que ele se afaste e se
acalme, até que possamos conversar.


4 - Quando os episódios desagradáveis, quaisquer que sejam, ocorrerem em
presença de terceiros, pretendo, antes que tudo, retirá-lo da presença
dos demais, para depois conversar com ele. Eu não preciso criticá-lo com
platéia, por mais que ele esteja errado. De qualquer modo, a platéia
sempre pode interferir negativamente, como dizendo, por exemplo, que
"está tudo bem". Antes de mais nada, tentarei afastá-lo do foco de
tensão, para depois conversar o que precisar com ele.

Pretendo permanecer nessas posturas pelo tempo necessário para que ele
reformule sua forma de agir. Provavelmente levaremos anos nisso, mas é
no que acredito e é com m o que posso conviver.

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domingo, 12 de abril de 2009

Oh, Deus, livrai-me!

Oh, Deus
Livrai-me de pensar que meus problemas são o ápse do sofrimento na Terra
Livrai-me de lamuriar o fato das minhas dores não serem o epicentro do
Universo!
Livrai-me de blasfemar contra os companheiros de jornada porque eles não
entendem o que não digo;
livrai-me de desejar e esperar que eles adegem eternamente em minha
órbita!
Livrai-me de sentir que minhas atribuições são grandes demais!
Livrai-me de desejar o que não tenho e de menoscabar o que me é dado
graciosamente;
livrai-me de esperar retribuição e recompensa
Reconhecimento e gratidão
de ver nos outros mais suas falhas que suas tentativas
E de achar que tenho um rosário de razões.

Nessa Páscoa, oh, Pai
Em que recordamo-nos o martírio de seu filho bem-amado em prol do nosso
crescimento moral para ti
rogo-te, com toda humildade de que sou capaz
Que me permita ir até ao fim de minhas obrigações com dignidade e
desvelo
Com silêncio e compreensão
Vendo ao outro antes de ver a mim
E silenciando quando a compreensão me parecer impossível.
Protege-me e guia-me, senhor
Fortalecendo-me e amparando-me
Dando-me saúde e serenidade
Humildade e determinação
Para, ainda que só
Ainda que em outras partes,
Eu possa seguir sempre contigo.

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quinta-feira, 2 de abril de 2009

Deu vontade de postar

Sei que foi gravada pelo Grupo Ame, mas não sei o nome nem o autor, por
isso não existe qualquer referência a essas informações. Se alguém por
aqui passar e mas puder fornecer, ficaria sensivelmente grata.

não se pode aprender
da noite para o dia
muito há para vencer
dureza e rebeldia
e no plano inferior
a luz a gente adia
transformando em grande dor
alma-irmã toda alegria

Por você roguei ao céu
por este lhe fui dado
meu destino uniu-se ao seu
nos passos do passado
sob as bênçãos do senhor
com amor acrescentado
você faz um ser melhor
alma-irmã de um ser malvado.

Você me representa
a aurora da esperança
qual anjo, qual criança
de todo mal isenta
Jesus assim me alcansa
me ergue e me alimenta

Minha grande pequenez
me trai a cada gesto
mas almenta vez à vez
o bem que hoje atesto
frontes brancas a impor
o tempo anda presto
seja a paz nosso pendor
alma-irmã num mundo infesto.

Nossas almas são afins
Pois gêmeas Deus não gera
São idênticas nos fins
de ser da nossa esfera
Dos menores ao maior
dos graus da vida vera
chegaremos ao amor
o primor da nossa espera.

Você
Com suavidade
é a luta que eu me imponho
o tom em que componho
nossa posteridade
um avanço no meu sonho
de amar a humanidade

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  ©Template Blogger Writer II by Dicas Blogger.

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