Frase

"A noção do dever bem cumprido,ainda que todos os homens permaneçam contra nós, é uma luz firme para o dia e abençoado
travesseiro para a noite."
(Os Mensageiros)


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domingo, 29 de agosto de 2010

O Rouxinol - Milton Nascimento

Essa é dos tempos que eu freqüentava a juventude na FEP. É terna para falar de recomeços, ainda que com alguma tristeza. Mais ou menos assim que me sinto agora.
Força, luta, o empenho constante, a dedicação diária... Um dia renderão frutos, e, se não renderem, ao menos trarão a dignidade da consciência da tentativa.


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é muuiiiiiita arte - mariles

meninas, só pra comentar..., A Misila é o ser mais arteiro que eu já
vi!!! Eu digo que não é o Kevo que ensina arte pra ela, mas ela que
ensina pro Kevo.
1 - Estava empurrando ela no velotrol, quando passamos pela torneira,
que ela abriu num átimo e se molhou inteira, rindo como se fosse uma
festa!
2 - Agora abandonamos o balde e ela toma banho no chão. Mas, antes, eu
tenho que passar fita isolante no ralinho, senão ela tira a tampa e joga
o que puder lá dentro e, se não tiver nada pra jogar, tenta
insistentemente lamber as paredes dele.

3 - Hoje de manhã ela me chamou. Levantei e fui atender e ela me
entregou um sapinho todo sujo de cocô, com plastras mesmo. Ela tinha
feito cocô, puxado a calça para baixo, aberto a fralda descartável, e,
alegremente, passado aquilo no rosto, na parede, no berço, no cabelo...

4 - Sempre que tem uma folguinha, ela tenta jogar as roupas da gaveta no
cesto de lixo ou no vaso sanitário.

5 - todos os ralos do quintal são lacrados com fita adesiva, porque ela
gosta muito de abrir e jogar o que puder lá dentro.

6 - Quando o Kevo fez dois anos, lhe demos um sofazinho, para ele sentar
quando quisesse e ver televisão. A Mariles senta no sofá sozinha e,
quando está empolgada, fica em pé no sofazinho, senta no encosto, de lá
galga o braço do sofá grande e faz um escorrego até o assento deste.

7 - Se o sofazinho não estiver no lugar certo, ela diligentemente o vai
empurrando, de onde quer que esteja.

8 - adora empurrar / arrastar o que podee: cadeira, cesto de lixo,
sofazinho, violão com capa e tudo.

9 - adora pegar minhas bolsas e colocar no pescoço. A coisa deixa de ser
engraçada quando ela abre e tenta comer os papéis que estão dentro.

10 - Sobe encima do Kevo pra brincar de cavalinho, mas ele sempre
precisa de ajuda quando ela tenta ficar de pé nas costas dele.

11 - Aparentemente, nenhum mordedor para ela é melhor que o pé da
cadeira da sala. Por mais que tiremos, ela sempre volta.

12 - Tira a fralda quando quer fazer cocô e, se ninguém a para em tempo,
sai arrastando o "fruto das suas entranhas" pelo chão, pela casa
inteira.

13 - Não pode ouvir uma música que tenta cantar e, aparentemente, ao ver
que não consegue, chora muito, como se fosse uma tristeza.

14 - Sem nenhum motivo aparente, morde o estêvão, especialmente o dedão
do pé.

15 - Encaixou uma tampa de canetinha no buraco do umbigo e saiu
mostrando pra todo mundo.

16 - Por um motivo que ninguém entendeu ainda, adora cantar com o rosto
enfiado no vaso sanitário.

17 - Dentro da piscininha, colocou água na boca e cuspiu no Kevo - ele,
aos 3 anos, nunca tinha tido essa idéia... Imaginem o que aconteceu
depois.

18 - Adora dar "pru" no próprio corpo, nos outros e nos objetos.


Gente, eu juro, não dá pra parar um único minuto, sob pena de coisas
inacreditáveis acontecerem...

Beijos,

Jobis, que pariu uma usina de arte

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Definitivamente

Pode-se amar muito mais um homem depois de ter filhos com ele.

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sexta-feira, 6 de agosto de 2010

fotos do aniversário da ma

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segunda-feira, 31 de maio de 2010

A mãe sou eu, droga!

A educação é uma condição muito apreciável. Mas às vezes, e só às
vezes, chega a ser quase uma desvantagem.

Uma de minhas principais dificuldades quando tive o Estêvão, foi
achar um pediatra que não me tratasse como uma idiota.
Sabe como é: pedir ajuda da secretária para tirar a roupa do bebê, mesmo
que você se prontifique a fazê-lo, pedir para você segurá-lo colocando a
sua "mãozinha" não sei aonde.
Eu fervia e acabava chorando, humilhada, depois que saía do
consultório. Eu sou cega, mas não sou uma idiota! Dá pra me dar a chance
de mostrar isso?
Mesmo quando eu encontrei uma pessoa que era apenas cuidadosa e não
preconceituosa, quando um dia eu fui com um acompanhante vidente, ela
simplesmente passou a tratar como se o acompanhante fosse a mãe dos meus
filhos.
Então é isso: todas as vezes que eu vou com um acompanhante que
enxerga, ele é automaticamente promovido a mãe dos meus filhos.
Conclusão? Eu faço questão de ir sempre sozinha, mesmo que um
acompanhante às vezes seja legal, para uma questão de logística.
Tá, eu sei... Eu deveria ter uma postura consciente e superior.
Deveria impor meu papel ou não me importar, afinal, não muda nada um
médico tratar outro como responsável pelos meus filhos por dez minutos,
se a mãe sou eu, de fato e de direito. Mas a minha parte imatura e
imediatista ferve com esse tipo de postura. Talvez, um dia, eu esteja
furiosa o suficiente para olhar bem na cara do cristão e dizer: a mãe sou
eu, droga!

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quinta-feira, 20 de maio de 2010

Em relação ao Movimento

Não consigo entender. Não sei se eu estive iludida, ou as coisas
sempre foram assim. Muitas vezes, ainda me pergunto se eunão estaria
obsediada - sério! Sei lá, existem obsessões tão sutis! Ou aquelas nas
quais a afinidade entre obsessor e obsediado é tanta, que é quase
impossível se percatar de alguma coisa...
Mas eu vejo eventos relacionados à doutrina e parece que estou em
uma serimônia ritualística. Tudo sem cor, sem vida, sem brilho, sem
vontade, sem alegria, sem ternura.
Eu realmente entendo que a sobriedade e a austeridade sejam
caracteres de equilíbrio e maturidade, mas nenhuma dessas virtudes de
constitui numa rigidez, numa falta de vida, numa falta de alegria e de
calor humano.
Cada vez eu sinto menos o "cheiro do Cristo" dentro do Movimento
Espírita. Todos não podem ter mudado de repente e eu ser a única livre
das alterações! Isso é absurdo! Mas, na mesma proporção em que as idéias
espíritas me tocam, acolhem e dulcificam, a vivência espírita dentro do
Movimento Espírita só me dão vontade de ir embora.

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sábado, 8 de maio de 2010

Mariles aos dez meses

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Eu odeio "historinha"

Eu tento não escrever esse tipo de coisa, simplesmente porque escrever
me fixa no sentimento e fica mais difícil desvincular depois; mas hoje,
eu preciso: eu odeio historinha. É o tipo da coisa que me deixa doente,
furiosa da vida e com muita, muita raiva.
Historinha=fofoquinha, invensão, mentirinha, ou, simplesmente,
disse-me-disse. Não foi assim que eu fui criada.
Tem um problema comigo? Diz. Xinga, escracha, manda tomar em
qualquer lugar, faz o que for, mas
diz. Agora ficar de fofoquinha e disse me disse, dá nojo.
Pior que isso é quando o outro vem: "olha, eu não devia estar te
dizendo... Não diz que eu te disse, mas fulano disse...."
Juro que isso me deixa emocionalmente doente, furiosa mesmo. Repito: não
foi assim que eu fui criada. Eu não sei lidar com isso. Dá vontade de
jogar areia no ventilador e mandar todos os envolvidos para um lugar bem
inapropriado... Ou apropriadíssimo para eles, sei lá...
*Jo tenta controlar a raiva*

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quinta-feira, 6 de maio de 2010

Vídeo do parabéns do Kevo - agora, sim!

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segunda-feira, 1 de março de 2010

Dez anos depois

No último dia 23 de fevereiro, fez dez anos que meu esposo e eu começamos a namorar.
Engraçado que  minha memória me trai muitas vezes, mas deste começo, eu nunca esqueci.
"Podemos dizer que estamos namorando?"
"Essa loucura vai até onde você quiser."
"Com você, eu vou até o céu."
"Por enquanto, só namorada. Deixa o resto do céu para depois."


Claramente não encontramos o céu, longe disso. Nosso relacionamento  superou tormentas de vários matizes, até chegarmos a este patamar, dez anos depois: dois filhos, casa própria, cortinas nas janelas, sobreviventes de nós mesmos e ainda de mãos dadas.
Eu poderia plagear aquela frase ultra-romântica que li em certo lugar "E então eles se deram as mãos e nunca mais soltaram", mas então estaria mentindo. Nesses anos, nós soltamos as mãos, mais de uma vez. Cada um a seu tempo, desejamos nunca ter cruzado o caminho do outro. Entretanto, estamos aqui. "Sobreviventes felizes de mil tormentas". E se não vimos o céu, vimos nosso mundo mudar. Hoje sabemos que nada nos vai separar, nem falhas nossas nem mal.
Não é a coisa mais poética de todo  o universo. Não é cinematográfica. Mas é real, porque é nosso. Nós construímos isso. Nós lutamos por isso. Nós estamos juntos.
Eu o conheci aos dezesseis anos e soube que ele era quem eu queria comigo pela vida inteira. Ficar com ele custou tudo o que eu tinha,è muitas vezes parece que custou mais: custou tudo que eu tinha e era. Eu tive de deixar tudo para trás e me reformular inteira. Custou caro, e eu ainda estou pagando. Mas, se o tempo voltasse e eu tivesse que escolher denovo, e apostar tudo que eu tinha e era em um único lance da minha vida, outra vez eu apostaria. E se as parcelas ficassem tão altas, como eventualmente ficaram, a ponto de eu precisar pedir empréstimos em tratamentos para minha saúde emocional, eu pediria, e se mais eu tivesse que pagar, eu pagaria, porque nessa vida eu sei que perto dele é o meu lugar.

Eu poderia escrever mais. Poderia escrever coisas tão romanticamente descabeladas que ele sequer acreditaria que saíram de mim, mas não precisa. A realidade é suficiente. O testemunho diário basta para provar que eu falava sério quando disse que o amava e que aquela loucura iria até onde ele quisesse. E se ainda não encontramos o céu, certamente encontramos o sentido, o que, em se tratando de vida n a Terra, é buscado sem ser encontrado muitas vezes, por existências inteiras.

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Inveja

A teoria é linda e legítima. Eu entendi e aceito.
Mas uma das coisas mais difíceis dessa vida é querer o que não se
deve querer, sentir o que se sabe que é errado. Não é o difícil, que
você
mete a cara e faz fácil; mas sentir o que é errado, o que não devia
sequer ser pensado. Saber que se alberga ainda todos os sentimentos
negativos que fazem você torcer o nariz quando surpreendidos nas outras
pessoas, e não poder fazer nada além de assumir que você também os tem.
Estar a mercê do seu lado negro e não ter a "escova moral" para
esfregá-lo e torná-lo branco. Sentir a dor da inveja, a submissão do
vitimismo, ah, sim, é ruim demais. Talvez eu só precise de um problema
de verdade - mais um?

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domingo, 31 de janeiro de 2010

A caminho...

Em dias como hoje, em que eu me imponho a mim e mal sei como dar o
próximo passo, isso calha como música.



A CONDUTA CRISTÃ

Ibraim ben Azor, o cameleiro, entrou na residência acanhada de Simão e, à frente do Cristo, que o fitava de olhos translúcidos, pediu instruções da Boa-Nova, ao
que Jesus respondeu com a doçura habitual, tecendo considerações preciosas e simples, em torno do Reino de Deus no coração dos homens. Mestre perguntou Ibraim,
desejando conhecer as normas evangélicas , na hipótese de aceitar a nova revelação, como me comportarei. perante as criaturas de má-fé? Perdoarás e trabalharás
sempre, fazendo quanto possível para que se coloquem no nível de tua compreensão, desculpando-as e amparando-as, infinitamente. E se me cercarem todos os dias?
Continuarás perdoando e trabalhando a benefício delas. Mestre invocou Ibraim, admirado , a calúnia é um braseiro a requeimar-nos o coração... Admitamos que
tais pessoas me vergastem com frases cruéis e apontamentos injustos... Como proceder quando me enlamearem o caminho, atirando-me flechas incendiadas?

Perdoarás e trabalharás sem descanso, possibilitando a renovação do pensamento que a teu respeito fazem. E se me ferirem? Se a violência sujeitar-me à poeira
e a traição golpear-me pelas costas? Se meu sangue correr, em louvor da perversidade? Perdoarás e trabalharás, curando as próprias chagas, com a disposição de
servir, invariavelmente, na certeza de que as leis do Justo Juiz se cumprirão sem prejuízo dum ceitil. Senhor clamou o consulente desapontado , e se a pesada
mão dos ignorantes ameaçar-me a casa? se a maldade perseguir-me a família, dilacerando os meus nos interesses mais caros? Perdoarás e trabalharás a fim de que
a normalidade se reajuste sem ódios, compreendendo que há milhões de seres na Terra fustigados por aflições maiores que a tua, cabendo-nos a obrigação de auxiliar,
não somente os que se fazem detentores do nosso bem-querer, mas também a todos os irmãos em Humanidade que o Pai nos recomenda amar e ajudar, incessantemente. Ibraim,
assombrado, indagou, de novo :

Senhor, e se me prenderem por homicida e ladrão, sem que eu tenha culpa? Perdoarás e trabalharás, agindo sempre segundo as sugestões do bem, convencido de que
o homem pode encarcerar o corpo, mas nunca algemará a idéia pura, nobre e livre. Mestre prosseguiu o cameleiro, intrigado , e se me prostrarem no leito? Se
me crivarem de úlceras, impossibilitando-me qualquer ação? Como trabalhar de braços imobilizados, quando nos resta apenas o direito de chorar? Perdoarás e trabalharás
com o sorriso da paciência fiel, cultivando a oração e o entendimento no espírito edificado, confiando na Proteção do Pai Celestial que envia socorro e alimento
aos próprios vermes anônimos do mundo. Mestre, e se, por fim, me matarem? se depois de todos os sacrifícios aparecer a morte por estrada inevitável? Demandarás
o túmulo, perdoando e trabalhando na ação gloriosa, em benefício de todos, conservando a paz sublime da consciência. Entre estupefato e aflito, Ibraim voltou a indagar
depois de alguns instantes: Senhor, e se eu conseguir tolerar os ignorantes e os maus, ajudando-os e recebendo-lhes os insultos como benefícios, oferecendo a luz
pela sombra e o bem pelo mal, se encarar, com serenidade, os golpes arremessados contra os meus, se receber feridas e sarcasmos sem reclamação e se aceitar a própria
morte, guardando sincera compaixão por meus algozes? Que lugar destacado me caberá, diante da grandeza divina? que título honroso exibirei? Jesus, sem alterar-se,
considerou : Depois de todos os nossos deveres integralmente cumpridos, não passamos de meros servidores, à face do Pai, a quem pertence o Universo, desde o grão
de areia às estrelas.

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O resguardo que não houve

Eu sentia necessidade emocional do resguardo, não pelos motivos
antiquados de antanho, mas para acomodar a alma a todas as alterações.
Uma espécie de fase mamífera de reconhecimento da cria que acaba de
chegar; uma espécie de estado intermediário, no qual todos os outros
membros da família possam se acostumar ao recém-nascido. Um tipo de
estágio interfásico, entre todas as exigências do final de gravidez e
do parto, e as imposições da "vida normal"; um momento muito íntimo,
muito próprio, de meditação, recolhimento, adequação.
Infelizmente eu não tive isso, das duas vezes. Da primeira, hhouve
as pressões de uma UTI, as intromissões que não acabavam mais, o inferno
diário de tentativas de imposições de gente, situações e coisas que
nunca pedi. Enfim, agressão total.
Hoje, com quase dois anos de distância, acho que posso dizer que
poucas vezes me senti tão agredida, invadida, humilhada e sozinha quanto
no meu resguardo.
Eu não me adaptei ao Estêvão; eu me agarrei a ele, quase que
literalmente para não sair jogando coisas nas outras pessoas.
Dessa vez foi diferente. Eu tinha cortado alguns "laços daninhos",
e, de uma forma geral, isso me fez bem. Mas a vida simplesmente não
podia ficar parada, enquanto eu cheirava a cria, enquanto eu desejava
que os dias passassem mais devagar.
Com cerca de dez dias de parida, eu tive que reassumir minhas
obrigações, as quais incluíam, por exemplo, sair de casa.
Foi um recomeço infinitamente menos agressivo, menos traumático e,
até, mais natural. Entretanto lembro que estava com Mariles em uma fila
e alguém perguntou a idade dela e, ao receber a resposta de dias,
despejou: nossa, como vocÊ tem coragem!!!! E eu respondi: não é coragem,
é necessidade. E a conversa parou por aí.

É muito raro as coisas serem como a gente quer. Penso que o
importante seja fazer tudo que esteja a nosso alcance e aceitar o que
vem e aprender com o"o que não veio".

Agora Mariles já tem seis meses. Embora "fora do tempo", temos essas
"vivências de encaixar / encontrar". É quando toda a família fica na
cama, em uma manhã de domingo, apenas sentindo uns aos outros e rindo,
sem desejar mais que vivenciar aquele instante; é quando nos sentamos
todos no chão, brincando com pecinhas, palavras, músicas, macinhas de
modelar.
Enfim, às vezes a própria vida nos oferece mecanismos de
compensação.

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quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Bingo!

Estava lendo um blog que eu amo muito, o da Gabi Prado
(www.amaesoueu.blogspot.com)
quando ela falava do seu pós parto e, de repente, me deu o que eu nem
sabia que procurava:
Quando o Kevo nasceu, eu morri e não sabia quem era... É tão louco
isso... Minhas roupas, meus gostos para acessórios, meu gosto para
perfumes - tudo se divide em *antes* e *depois* do parto.
Antes do parto, meus tons preferidos eram os de rosa. Era como se eu
tentasse reter a menininha que eu fui, cabelo molhado e mochila nas
costas, bengala na mão no ponto de ônibus.
Meus perfumes diziam algo como "por favor, olhem para mim!": Isa, Anete,
do boticário, Enamorata, anais anais, Geovana Baby...
Quando Kevo nasceu, eu tomei pavor de todos eles. Todos me pareceram
fortes e chamativos demais, isso quando eu tinha vontade de passar
perfumes. Sensual, da Laccua estava totalmente fora de questão. Passei a
optar por fragrâncias mais suaves, tipo um Egeu, de leve, um shiraz ou
um Limiar.
Troquei as camisetas por batinhas - comecei a usá-las durante a
gravidez do Kevo e não parei nunca mais... E os vestidos, os eternos
vestidos abaixo dos joelhos, eles continuam lá. O gosto por cabelos
grandes também resistiu, mas perdi o gosto por brincos pendurados,
adotando as argolinhas discretas, especialmente com pérolas. Aliás, amei
o fio de pérola ter voltado a moda, embora eu sempre tenha usado, de
qualquer jeito. Mas perdi o gosto por pulseiras e braceletes, passando
a gostar, por mais estranho que pareça, de broches.
Batom, que eu usava sob tortura ou sob protestos veementes, virou
hábito dileto, logo após a escovação matinal.
Agora eu fico me perguntando porque será que isso acontece. O que
decretou em mim o fim de alguém e o renascimento de outro... É muito,
muito interessante isso. Muito louco pensar que, quando a gente pare
alguém, parte da gente morre e outra pessoa é gestada durante o
resguardo... Muito doido isso... E lindo, também. Indiscutivelmente, Mia
Colto é quem tinha razão: não é a mãe quem dá à luz ao filho, mas o
filho que dá à luz à mãe.

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terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Reflexões a granel

Ontem eu estava muito espiritualizada, ainda mais que o normal.
Para começar, na iminência de fazer uma laparoscopia, fiquei
pensando no meu corpo, quando estava tomando banho. De verdade, de
repente, fiquei muito grata por ter o corpo que tenho - nem bonito
demais, para não atrair atenções indesejáveis ou tentações
desnecessárias ao meu ego, - nem feio demais, para não assustar nem
constranger às outras pessoas.
No geral, ele sempre funcionou muito bem. Todas as suas falhas - a
da vista que não funciona, só para começar - vieram, ou para meu bem, ou
por minha responsabilidade.
Por um quarto de séculos, nós estivemos sempre juntos, meu corpo e
eu. E então, em 2010, teremos nosso "primeiro corte".
Fiquei pensando em como provavelmente eu nasci, lisinha e sem
marcas, como nasceram, agora, meus filhos. E agora, porém, já posso
contar as cicatrizes - três na perna, só para começar.
Agora, então, teremos nossa primeira... Bem, digamos, nossa primeira
perda, por assim dizer. E, sim, ontem eu me despedi da minha vesícula.
Agradeci por ela ter funcionado tão bem, a ponto de eu só lembrar que
ela existia, quando começou a me causar dores. Agradeci seu trabalho,
silencioso, humilde e diário, e a abençoei, do fundo do meu coração: que
a matéria que a compôs possa, brevemente ser reconstituída, e fazer
parte de outra coisa que possa ser útil.
Eu sei que isso pode parecer triviagem para a maior parte das
pessoas. Nós, comumente, fomos treinados a pensar que nós e nosso corpo
somos um, ou, na melhor das hipóteses, pensar que nosso corpo é um meio
de conquistar o que queremos - atenção, aprovação, coisas assim.
Raramente pensamos nele como um veículo, como um instrumento provisório
e perecível para que realizemos algo mais na Terra além de sobreviver e
usufruir de prazer em vários graus.
Lembro de mim no começo de toda essa história de vesícula. Eu sabia
que devia maneirar com as gorduras, mas na época eu estava simplesmente
viciada em comer bolacha de água e sal com margarina. Ficar sem a
bolacha de água e sal com margarina era um verdadeiro suplício gustativo
para mim, pelo que eu sempre furava com a dieta e colocava margarina no
alimento que deveria estar totalmente seco. Depois vinha a dor e eu
pensava: puxa, Jô, por um simples capricho você sobrecarrega sua
vesícula e ainda se impõe uma dor desnecessária!...
Foi gostoso e estranho pensar no meu próprio corpo dessa maneira.
São coisinhas como esta que mudam nosso olhar para a vida, que modificam
nossa maneira de relacionar conosco, com a vida e com os demais.

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domingo, 27 de dezembro de 2009

Lágrimas para bem longe

A Internet faz dessas com você: te dá amigos que, d utro modo, jamais
teria conhecido. Foi assim com Denis Iacovlev, que conheci em um grupo
chamado Musica-viva, fundado por um outro amigo, o Shaun Klein, para
nós, amantes de músicas "estranhas". Pois Denis gostava dessas "músicas
estranhas" tanto quanto eu, e foi esse ossoprincipal laço ao longo dosanos
que se seguiram. Trocamos inúmeros discos "a capella" e músicas
regionais de diversos países. Foi nesse clima que surgiram as outras
afinidades, culminando com a troca de "cartas faladas". Está claro que
eu jamais falaria ruço, mas foi o espanhol que nos uniu 0ambos o falavam
e queriam alguém com quem treinar.
E foi em espahol que tivemos a esmagadora maioria de ossas
conversas, entremeadas com expressões desesperadas em inglês
ou português, quando não sabiamos dizer o que queríamos.
Então aconteceu que Estêvão nasceu e, por mais que eu tetasse, não
encontrava tempo para essas filigranas tão doces... Lembro que ossa
ultima conversa foi sobre a pronúncia do nome dele> como que se diz isso..
Esteban, Estévau.... Até que nos conformamos em dizê-lo simplesmente
Martim, que é seu primeiro nome. Co o tempo, o mundo da maternidade
consciente me absorveu quase por completo, até que, de repente, veio a
noticia. Denis morreu. De que, niguém sabe. Os conhecimentos de inglês de
sua irmã que finalmente atendeu às chamadas insistentes dos membros
latinos do grupo foram insuficientes para detalhar a causa mortis.
denis morreu. Acho que jamais saberei como ou de quê Nem teho para onde
enviar mihas condolencias e minhas lágrimas patéticas. Ele simplesmente
se foi, e eu me sinto apenas triste por jamais ter lhe dito quanto ele
era especial para mim, por tanto e por ser capaz de ficar comigo no skype,
fazendo o que ninguém mais fez> ouvir minhas "músicas estranhas" e
deixar que eu ouvisse as suas.
onde quer que esteja, meu querido, espero que existam discos e
discos para satisfazer sua curiosidade, pilhas e pilhas de músicas
diferentes, de línguas diferentes, com acordes que provoquem sua
sensibilidade de músico e de cego. Um dia,quem sabe, quando juntos
estivermos no "mundo maior", espero te dizer, com a linguagem imparável
do pensamento, quanto fui feliz por você ter existido em minha vida de
isolamento compulsório, laivada de muito poucas estrelas.. Mas todas
xelas tão brilhantes e tão belas.....

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segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Definitivamente, preciso de ajuda profissional

Estou quase procurando um psiquiatra e implorando que ele me
interne... Tudo bem, é figura retórica, porque eu não vou deixar de
amamentar minha filha exclusivamente para prestigiar um hospiciozinho
qualquer... :-)
Mas não é normal uma pessoa sentir arrepios de indignação sempre que
ouve a palavra "mamis" e "mãezinha". Arg!!!! Parece uma coisa tão...
Superficial!!! Mamis o caramba! O mínimo de respeito, faz favor?
Mamãezinha? Pior ainda.
Francamente,isso não pode sernormal!

Beijos,

Jobis - mãe de Estêvão e Mariles, mas nunca, jamais, mamis de quem quer
que seja! Éca!

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sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Mariles, não quer acordar pra mamar?

A vida é assim: enquanto os cinemas exibem New Moon, o cine 14 bis, de
Guaxupé, exibe "amburgeres voadores" e Jobis relê lua nova e fuça
relatos de quem assistiu ao filme e adorou! Ei, Mariles Estela, não quer
acordar pra mamar denovo, não?

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terça-feira, 17 de novembro de 2009

É cada uma!... - sling

Embora tenha conhecido e até protagonizado alguns acontecimentos
bizarros envolvendo o uso de sling, nunca ouvi falar em nada como o que
aconteceu conosco ontem, quando estávamos no mercado.
Mariles estava sentadinha no sling, de perninhas para fora,
atraindo, como sempre, comentários que flutuavam entre "que lindo!" e
"que judiação", quando uma desconhecida interveio:
- Que vergonha!
Eu mal tinha começado a me perguntar o que era tão vergonhoso,
quando ela continuou:
- Nós, mulheres, sofremos horrores para nos livrar do jugo do homem
para sermos submetidas às crianças desse jeito! Isso é uma inversão de
valores! Ela é que tinha que estar cuidando de você, não você se
escravizando a ela desse jeito.
Certamente me faria muito bem ficar frustrada porque uma bebê de 4
meses não estava resolvendo meus problemas!... Mas ela ainda tinha mais:
- Ela quase está nas suas costas, como se você fosse mesmo um burro
de carga. Quando a mulher fica grávida, o filho suga sua saúde, sua
beleza e, se depois da gravidez a mãe continuar com essa simbiose, ele
suga os seios e estraga a coluna, tudo isso para depois não dar nada em
troca! Criança tem que ser independente! A mãe tem que reconquistar o
espaço dela, para não se submeter a vida inteira!...
Pela primeira vez, acho que entendi direito o que era estar "entre o
espanto e a ternura". Como eu podia lhe explicar, nos curtos segundos
que tínhamos enquanto nossas poucas compras rolavam na esteira, a
diferença entre entrega e escravidão, entre amor incondicional e
investimento calculado, entre doação e submissão!...
Talvez não tenha nada a ver e jamais saibamos a resposta, mas eu me
perguntei aonde ela estava quando tinha apenas 4 meses e não podia dar
muito mais além da realidade de sua própria existência e dos seus
sorrisinhos de gratidão e expectativa.
~ Eu não desejei ser irônica ou arrogante quando lhe disse as
primeiras e últimas palavras de todo o acontecido:
- De verdade, eu queria muito, muito que você entendesse....

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sábado, 14 de novembro de 2009

Eu desisto!

Postar "para as paredes" é bom . Quero dizer, qualquer que seja a
conversa que o protagonista teve com Deus mais para frente, não
justifica eu ler "a cabana". Simplesmente isso de tortura de menininha
de 6 anos estava acabando comigo.
Desisti.
Aliás, desde que meus filhos nasceram, pensar em tortura à crianças me
deixa emocionalmente doente.

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  ©Template Blogger Writer II by Dicas Blogger.

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